No Brasil, olhamos o que parece evidente. Se uma rolha de garrafa de vinho flutua na água, vimos que flutua, não importa as características que a levam a flutuar. Se a arrecadação da previdência é menor que o necessário, se a tributação é pesada e arrecadamos impostos insuficientes, tratamos dos problemas, nunca da origem. É como tratar a febre e não cuidar da doença.
Sabemos que, na média, os poucos anos de estudo de um brasileiro é um problema e que a educação oferecida a quem estuda é de baixo nível. Sabemos que estas coisas estarão presentes no próximo debate político, mas ninguém vai acreditar muito nas mudanças sempre prometidas em tempos eleitorais. A educação é o caminho quando é possível vislumbrar o caminho.
Na origem dos problemas nacionais está em uma realidade muito pouco debatida, a produção média de um brasileiro, quantificada através do PIB per capta, riqueza produzida por pessoa, cinco vezes menor que a produzida por pessoas que vivem em países com índices elevados de desenvolvimento humano – IDH. Baixa produção e alta concentração de riqueza.
Recentemente, vimos na nossa região o incremento de produção de soja. Poucos ocupam grandes áreas, onde poucos trabalham e onde a riqueza produzida concentra na mão de poucos. De outro lado, vimos muitos gerando riqueza através da produção de leite. Estes, com pouco capital para investimento, possuem baixa produção e renda, e não são observados com a devida atenção pelo Estado, onde deveriam ser tratados com mais atenção no financiamento, na assistência técnica, na melhoria genética, na infraestrutura de produção de alimentação para os rebanhos, no aperfeiçoamento do conhecimento dos produtores, entre outros aspectos de interesse do setor.
Temos baixa produção por hectares de milho, sorgo, soja e o que é pior, estamos concentrando a produção rural em um produto, soja, que exportada, gera mais riqueza em países mais ricos. Por outro lado, com pouco capital na mão da maioria, estes não consomem serviços, setor que gera muitos empregos, e sem giro do capital também não se arrecada impostos.
O debate político vai girar em torno de segurança, educação, saúde, infraestrutura, e outros temas, mas o que o país mais precisa é de ideias e ações voltadas ao incremento de produções socialmente úteis.
Marco A. Ballejo Canto