Colunas / Marco A. Ballejo Canto

Banner 845x110px

Só olharmos o que flutua II

Depois de colocar um peladão no museu em evidência, a Globo surge com matérias envolvendo o assédio sexual aos jovens da ginástica. Antes, as atrizes de hollywood que se insurgiram contra os diretores de tantos assédios.
Este mundo novo está ficando interessante. Quando eu era adolescente, início dos anos 70 do século passado, homem que gostava de treinar guri era melhor ficar de olho. Todo mundo sabia. Hoje, o assunto vira escândalo.
Do peladão no museu, ficamos sabendo porque a mídia noticiou e armou o barraco. Não fosse isso, a maioria do povo brasileiro nem entra em museu. Certas obras de arte são de mau gosto, e nem só o peladão. Mas cada um que produza a obra que puder.
Estes temas de assédio são úteis no sentido de alertar para que pais eduquem os filhos, ensinando os mesmos a se defenderem e a dizer não, quando entenderem que a melhor resposta é não. É conveniente também que os pais sejam amigos dos filhos, o suficiente para ouvirem qualquer coisa que os filhos queiram falar. Não é pouca coisa em tempos de pais separados e de profunda desestruturação das famílias.
Porém, para a grande imprensa a intenção é outra, distante do que aparenta. Visando promover um candidato de direita, a Globo, a Veja, e outras empresas, tiram o foco dos problemas da economia, do financiamento e da qualidade da educação, do desastre no atendimento à saúde pública, do fracasso da reforma trabalhista, da abandonada reforma da previdência, do desenvolvimento que viria e não veio depois do golpe (ou será que não foi?) que derrubou a presidenta. Lula está preso e a bola da vez são os amigos de primeira hora, Aécio, Alckmin. O ministro da fazenda de Temer não desencalha nas pesquisas e Temer como cabo eleitoral será um desastre de quem todos querem se afastar.
A grande imprensa se volta a tratar das questões de costumes.
Ciro Gomes, um dia desses, questionado sobre a questão LGBT, disse que a direita deseja que a esquerda fale qualquer coisa que possa ser questionada no que se refere a costumes, uma vez que na agenda política de educação, saúde, finanças, gestão, desenvolvimento, juros, segurança pública, reforma agrária, sistema financeiro, reformas trabalhista, previdenciária e tributária, perdem todos os debates.
Num sentido amplo, ser de esquerda significa estar ao lado das maiorias, que normalmente são os mais pobres.
É preciso ficar atento a todos os temas, garantir as liberdades individuais, o direito de expressão dos que estão no universo das minorias, mas é preciso compreender também das artimanhas de quem pretende mudar de assunto para o campo que lhe é conveniente.