Estava pensando no título da coluna de hoje quando, na minha frente, um dos livros na estante, de Dan Brown, assim foi denominado. Pensei, apropriado para o momento.
Na última semana, nem quis abordar a greve dos caminhoneiros, falei dos grandes interesses internacionais que dominam os grandes veículos de comunicação do Brasil. Esta semana, não há como fugir do tema, que não é dos melhores de se tratar. Com quase sessenta anos, tenho a tendência de achar que nada é como parece. Assim, o que está acima dos interesses dos caminhoneiros? Parece-me, e tenho poucas dúvidas do que escrevo, os interesses das empresas de transporte. O silêncio dos empresários foi uma declaração da participação. Estes, fechado o negócio, exigiram a imediata volta à normalidade.
Muito motorista autônomo parou, na marra, mas a mídia não podia denunciar, salvo “de passagem” algum caso supostamente isolado. A greve, antes de tudo, foi uma greve de patrões.
O povo, por esmagadora maioria, segundo as pesquisas, aplaudiu. O povo entende de whatsapp e quem se manifesta no whatsapp quase sempre entende pouco de quase tudo. Quem entende muito de alguma coisa é comedido, pouco expansivo, não gosta de polêmica, fica na sua, e são poucos.
Vai sobrar pra muita gente.
Na formação da receita do ICMS arrecadado pelo Estado e compartilhado com os Municípios, quase 20% têm origem em combustíveis. O aumento de preços neste setor estava fazendo o governo do estado e os governos municipais sorrirem. A fonte não secou, mas estará jorrando em menor intensidade. As atividades econômicas reduziram drasticamente, lojas vazias, comércio quase parado, reflexos virão.
Que os operadores do setor de transporte, empresas e autônomos, estão sendo prejudicados pela política de preços da Petrobrás, não há dúvida. Logo, o movimento é justo. O direito de reivindicar deve estar garantido e está.
Parece-me, porém, que mais uma vez ações radicais não estão levando em consideração o bem maior que é a tranqüilidade geral da sociedade. Por exemplo, se havia uma perspectiva de pequena melhora na economia em 2018, e isso representava mais produção, renda, salário, trabalho e emprego, tudo que se previa está em risco.
Os partidos de direita, que defendem que o mercado seja o Senhor da economia, ganharam uma aula inesquecível. A Petrobrás, se comportando como empresa que bota preço porque tem mercado, colocou o empresariado todo a pedir socorro para o governo.