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Mainardi aponta manobras realizadas pela base governista para aprovar PEC 280

Mainardi participou de forma virtual da reunião da comissão

Mainardi participou de forma virtual da reunião da comissão

Sem quórum por parte da base governista e com apenas três deputados presentes, a Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa não pode deliberar sobre nenhum projeto na reunião da manhã desta terça-feira (25). Apenas os titulares da bancada petista, deputados Pepe Vargas e Luiz Fernando Mainardi, e o presidente da comissão, Tiago Simon (MDB) estiveram presentes na reunião ordinária em que foi realizada a distribuição das matérias para a relatoria.

Diante da ausência da base governista, que não quer realizar o debate sobre o recurso manejado pelas bancada do PDT, Psol e PT, pedindo a anulação da votação em primeiro turno da PEC 280, que retira a obrigatoriedade de realização de plebiscito para ouvir a população sobre possível privatização da Corsan, Banrisul e Procergs, o deputado Luiz Fernando Mainardi fez um desabafo. Afirmou que a CCJ deveria estar realizando um grande debate sobre a “pauta do dia, do mês, do ano deste mandato”, pois em seu entendimento a PEC 280 é inconstitucional e nunca deveria ter passado na Comissão que trata deste aspecto.

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O deputado também argumentou que com essa manobra, a base governista não está permitindo que a população exerça seus direitos políticos de opinar sobre um tema tão importante quanto a privatização da empresa pública que fornece água à população gaúcha. Lembrou que a Constituição garante o direito do cidadão opinar sobre negócios que o Estado venha a realizar, pois são assuntos de seu interesse e que vão refletir na vida de todos os contribuintes. “O governo não está conseguindo os 33 votos necessários, pois a votação em primeiro turno foi muito confusa. E assim, vem atropelando todos os prazos e procedimentos, impedindo o debate com a sociedade. Não houve nenhum debate com os municípios que contrataram o fornecimento de água. É uma situação que eu nunca tinha visto”, lamentou.

Relembrou que, por decisão do Colégio de Líderes, a PEC seria votada nesta terça-feira, mesmo sem a tramitação total do recurso interposto pelas três bancada. No entanto, o colegiado voltou atrás e a PEC não deve ser votada ainda nesta sessão. “Fomos surpreendidos com a decisão do Colégio de Líderes de que votaríamos hoje e de repente não vai mais haver votação e não houve quórum na reunião da CCJ e certamente não haverá na sessão porque (o governo) não têm os 33 votos necessários. Parece uma questão de vida ou morte para o governador Eduardo Leite, que prometeu na campanha que não privatizaria o Banrisul e a Corsan, agora retirar o direito da população decidir”, disse Mainardi.

O parlamentar ainda fez um alerta de que muitos deputados não querem votar a PEC 280/2019, porque e o governo tem realizado um conjunto de manobras visando entregar a água, depois o Banrisul e a Procergs para a iniciativa privada. Para Mainardi, isso vai gerar um imbróglio jurídico, pois estão desrespeitando os contratos que a Corsan realizou com os municípios e vai chegar a um ponto em que ninguém sabe o papel de quem e não haverá investimentos. “Tô achando que o governador está usando o povo do Rio Grande para seus interesses políticos. Isso vai gerar uma baita confusão e o povo do Rio Grande é que vai ser prejudicado pela sua sanha privatista, lamentavelmente”.