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Radioterapia de Bagé tem novo capítulo com falta de alvará municipal e Prefeitura alegando retrabalho

Paulinho Parera esteve reunido esta semana com técnicos do Ministério da Saúde

Paulinho Parera (C) esteve reunido esta semana com técnicos do Ministério da Saúde

Nos últimos dias, representantes bageenses no governo federal, vereadores e membros da Prefeitura local, tem trocado uma série de acusações sobre as causas pela qual a unidade de radioterapia, anexa a Santa Casa, ainda não está prestando os atendimentos, que são tão importantes para milhares de pacientes de câncer de Bagé e região, que ainda precisam se deslocar a outros centros para este tratamento específico. A cidade já possui quimioterapia.

O prédio da radioterapia foi inaugurado em abril de 2022 pela Prefeitura, com a presença do então presidente Jair Bolsonaro (PL). Entretanto, segundo levantado, o processo para funcionamento chegou ao governo federal apenas no final de dezembro e, após ter sido cadastrado errado, teve de ser refeito em janeiro deste ano.

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A última informação sobre a pendenga da abertura da radioterapia em Bagé é de que faltam dois documentos para que a situação seja regularizada. Quem repassou a informação vinda do Ministério da Saúde, após ter se reunido com os técnicos, foi Paulinho Parera, que é ex-vereador de Bagé e agora secretário de Gestão e Normas da Secretaria Especial de Comunicação (Secom), do governo federal.

Segundo disse Paulinho, a área técnica do Ministério da Saúde relatou a ele que, entre as questões impedindo a liberação da portaria para autorização do serviço, está a falta de dois alvarás: um alvará da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), o qual a Santa Casa de Bagé tinha provisoriamente e expirou, e o alvará sanitário de funcionamento geral do hospital junto à Prefeitura de Bagé, vencido no dia 30 de março de 2023. A direção da Santa Casa requisitou a renovação no dia 1º de março, mas até então a Prefeitura não concedeu. “É simplesmente absurdo que um dos entraves na liberação seja de responsabilidade direta da prefeitura do município, cujos membros atacam diariamente o governo federal, tentando se omitir da culpa da sua incompetência”, afirmou Paulinho. “São mais de um mês e meio com a Santa Casa de Bagé sem alvará sanitário do município. Inauguraram um prédio vazio com Bolsonaro em 2022 e agora a liberação depende da própria Prefeitura. É um ultraje com os pacientes que precisam de tratamento”, completou.

PREFEITURA – Em nota enviada ao TP, a Prefeitura refutou e rebateu as acusações do Paulinho. “A falta de funcionamento deste serviço causa um dano irreparável à comunidade bageense. A inércia e a letargia do governo federal tem gerado, ao não conceder a tempo as licenças faltantes, retrabalho nos processos burocráticos já realizados. Sendo assim, o alvará sanitário da Santa Casa de Caridade, anteriormente válido, agora passa por processo de renovação, em decorrência, reitere-se, da demora do governo federal na liberação dos demais documentos necessários para efetivo funcionamento. As informações divulgadas pelos representantes bageenses do governo federal, na verdade, tem como objetivo postergar o prazo para o efetivo funcionamento e, assim, dividir responsabilidades que, até então, são única e exclusivamente do âmbito federal, a fim de não assumir sua morosidade e falta de compromisso com um tema crucial para a saúde dos bageenses”, assinala o trecho principal da nota.

Para finalizar, a Prefeitura ressalta que “está à disposição para a realização de qualquer diligência e procedimento necessário para a agilização do funcionamento do serviço, como sempre esteve desde o início do processo. Sendo assim, entendendo a urgência da demanda, está realizando todo o procedimento necessário, ainda que sejam fruto de retrabalho gerado pela falta de atuação do atual governo federal.”

CÂMARA – O Vereador Flavius D’ajulia (PT), enviou à Comissão de Saúde, Meio Ambiente e Assistência Social da Câmara de Vereadores e Vereadoras de Bagé, um pedido de averiguação do motivo pelo qual a radioterapia ainda não está em funcionamento. O requerimento ainda pede que a Comissão faça diligência ao Ministério da Saúde, a Secretaria Estadual de Saúde, Secretaria de Saúde do município e a Santa Casa de Caridade.

Ele expõe que a ideia de levar este pedido à Comissão é devido a pluralidade da mesma, já que é constituída por vereadores da base de governo e da oposição, além de ter na sua formação parlamentares de três partidos diferentes. O parlamentar ainda complementa que “a formação desta comissão pluripartidária é importante, pois teremos uma única versão do problema da abertura da radioterapia. Além disso, também é importante que se encaminhe, caso seja necessário, ao Ministério Público a investigação dos reais culpados do porque a radioterapia não está funcionando.”