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Hulha Negra decreta situação de emergência em razão da estiagem

Plantas de soja morrendo pela falta de umidade no assentamento Chê Guevara

Plantas de soja morrendo pela falta de umidade no assentamento Chê Guevara

O prefeito de Hulha Negra, Renato Machado, decretou situação de emergência em toda a área rural e urbana do município afetadas pela estiagem. O decreto 2728 de 2024 foi assinado no dia 25 de março. Uma força-tarefa, montada pela Prefeitura, Defesa Civil e Emater foi formada para avaliar as perdas em razão da estiagem, para o envio de informações para a Defesa Civil Nacional para ser confirmada a homologação Estadual e reconhecimento do Governo Federal.

Entre as justificativas para a ação, o documento destaca que o município de Hulha Negra apresenta um cenário atual de crise decorrente do déficit hídrico, enfrentando um período de precipitação muito abaixo da média histórica, que atingiu o ciclo das culturas de verão na safra agrícola de 2023/2024, produção leiteira, produção de mel, consumo humano e água para o gado, há mais de 60 dias.

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O secretário de Administração, Planejamento e Meio Ambiente, Hector Bastide, destaca que a cultura da soja, milho, bovinocultura leiteira e de corte, fruticultura e hortaliças, são citadas no relatório como as principais afetadas nesse momento, além da falta de água para o consumo animal e humano que afeta as comunidades do interior. “As últimas chuvas registradas no município têm se demonstrado muito irregulares e isoladas e as previsões não apontam um quadro com quantidades satisfatórias”, lamenta.

Considerando que o levantamento da EMATER, desde o mês de janeiro até 20 de março, a precipitação foi de 212 mm de chuvas isoladas, sendo o maior volume registrado até o dia 12 de fevereiro, e, entre o dia 13 de fevereiro até agora foi registrado apenas 11 mm, o que ocasionou perda nas lavouras de milho e soja e nas atividades da bovinocultura de leite, corte e apicultura.

No assentamento Conquista do Arvoredo, soja com falhas e porte baixo em razão do solo seco

IMPACTOS

O laudo que apresenta os prejuízos considera que aproximadamente 349 famílias do município de Hulha Negra estão inseridas na bovinocultura de leite e que houve a redução de 30% da produção mensal da pecuária leiteira.

O documento aponta que as perdas na pecuária atingiu o valor de R$ 1.307.880 milhão e, aproximadamente 16,5 mil hectares de soja e 1,6 mil hectares de milho para produção de grãos, devem ter uma colheita frustrada e prejuízos consolidados no valor de R$ 22.126.347,36 milhões, em decorrência da falta de chuvas.

O laudo ainda identifica que a lavoura de milho está com o crescimento reduzido e a produção de grãos afetada, pois o solo não possui umidade suficiente para a produção de grãos. O documento destaca que “A pastagem de capim sudão não rebrotou após o pastoreio dos animais, a área está apenas com plantas daninhas. A lavoura de soja está morrendo devido à falta de umidade, os grãos estão em fase de enchimento e devido à falta de umidade no solo os grãos ficaram com tamanho reduzido. A lavoura de soja está com falhas e porte baixo pela falta de umidade no solo, isso faz com que a cultura não atinja o potencial produtivo desejado, pois não consegue a quantidade de água suficiente para a sua produção. A lavoura de milho para silagem foi afetada devido a baixa qualidade dos grãos e pelo secamento das folhas baixeiras, com isso a qualidade da silagem que será fornecida aos animais é baixa”.

O prefeito de Hulha Negra, Renato Machado, entende que a situação é crítica em relação a estiagem. “O decreto de emergência possibilita ao produtor ampliar o pagamento do que foi investido com prorrogações, parcelamentos e até isenções. Estamos cientes dos desafios que a estiagem impõe ao nosso município todos os anos, afetando nossa economia e os preciosos produtores rurais e agricultura familiar. Estamos comprometidos em implementar medidas eficazes para enfrentar essa situação e oferecer suporte necessário a todos os envolvidos. Juntos, vamos superar mais esse obstáculo e fortalecer nossa comunidade”.

Cabe lembrar que desde o início do ano, o município está com racionamento de água potável. Os reservatórios de água estão com a distribuição suspensa entre o período das 13h às 17h. A Secretaria Municipal de Agropecuária cumpre extenso cronograma para conseguir distribuir água em caminhão-pipa em mais de 410 pontos distribuídos no interior do município, incluindo escolas públicas e o acampamento do MST que está instalado às margens da BR 293.

PERSPECTIVAS

Com a homologação da Situação de Emergência pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, em tese, os municípios passam a ter acesso a uma série de benefícios relativos à ajuda humanitária. Por sua vez, o reconhecimento da União garante aos municípios uma garantia quanto a benefícios como ajuda humanitária, dispensa de processo licitatório, repasse de recurso, auxílio em obras de restabelecimento por meio de Planos de Trabalho, e outros.

Em razão do evento adverso, o município pode pedir a antecipação de benefícios da Previdência Social e movimentação de contas vinculadas ao FGTS; renegociação de dívidas bancárias junto aos programas de incentivos agropecuários, como PRONAF e PROAGRO, e o adiamento dos custeios de lavouras e pecuárias. Também foi solicitado ajuda financeira complementar para restabelecer o cenário, conforme planos de trabalho a serem apresentados.

ORIGINALMENTE ESTE CONTEÚDO FOI PUBLICADO NO JORNAL IMPRESSO