O plano, segundo disse Romero Jucá (PMDB-RR) em gravação, era estancar a Lava Jato, mas “deu ruim” e está em curso um novo processo. Desde que se apoderou do governo, este certamente foi o fim de semana mais tenso de Michel Temer (PMDB). O motivo foi mais um vazamento exclusivo da Lava Jato para a revista Veja, com a suposta delação premiada do executivo da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, que disse ter repassado R$ 10 milhões a José Yunes, conselheiro amigo de Temer há 40 anos.
A estratégia é tentar blindar o governo e fingir que a delação não os atinge. Tarefa impossível, já que entre os citados na suposta delação estão, além do próprio Temer, a sua cúpula no golpe, como os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco.
A proposta é divulgar o “pacote fantástico” de medidas econômicas ainda esta semana. Enquanto Temer promete apresentar uma receita mágica de curtíssimo prazo para incentivar a geração de empregos e a produtividade das empresas, a produção industrial recuou em 11 dos 14 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre setembro e outubro deste ano, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional. A maior queda foi em Minas Gerais (-7,6%).
Sobre a delação, pouco se falou. Mas segundo fontes do Planalto ouvidas pelo O Globo, o PMDB do Senado estaria analisando a possibilidade de pedir a anulação da delação, por ter sido vazada antes mesmo da homologação pelo Supremo Tribunal Federal.
Para aumentar ainda mais a pressão contra o governo, pesquisa Datafolha apontou que o índice de rejeição de Temer aumentou significativamente: 51% dos entrevistados reprovam o governo, e 63% querem sua renúncia.