Este foi o pedido de socorro que Eduardo Cunha fez ao Palácio do Planalto minutos antes de ser preso. Na verdade, Eduardo Cunha estava ligeiramente transtornado; “Geddel, vou ser preso! Vocês precisam fazer alguma coisa! “O presidente Michel Temer está em missão oficial no exterior”. O ministro ouviu o apelo praticamente calado. Sem saber exatamente o que se passava, pediu calma ao colega.
A prisão de Cunha havia sido decretada pelo juiz Sergio Moro. Antes de acionar o Planalto, Eduardo Cunha enviou uma mensagem para um dos seus advogados via WhatsApp: “Urgente. Serei preso”. Eram 12h37mim. O ex deputado tinha acabado de receber uma ligação de uma de suas filhas, informando que a Polícia Federal estava na porta de sua casa, no Rio de Janeiro, Cunha pediu para falar com um dos agentes. “O que está acontecendo?”, questionou. “Precisamos falar com o senhor pessoalmente,” respondeu o policial. “Mas eu estou em Brasília.”
Pelo telefone, a filha enviou uma cópia do mandato de prisão apresentado pela PF. Trinta minutos depois, os policiais chegaram ao apartamento funcional do ex-deputado, em Brasília. Mesmo que quisessem, não havia nada que Geddel e Padilha pudessem fazer para evitar a prisão. Por isso, o pedido de ajuda soou como mais uma das muitas ameaças veladas que o ex-presidente da Câmara vem fazendo desde que surgiram os primeiros indícios de que acabaria enjaulado em Curitiba. Ameaças, enquanto não se materializam em alguma coisa nem geram reações do suposto ameaçado, são apenas isso: ameaças. Talvez blefes. Mas o fato é que esses blefes agora ganham nova dimensão. Um dos políticos mais astutos da história, Eduardo Cunha tem na memória os detalhes da parceria criminosa que ele mesmo ajudou a construir entre o PT e o PMDB. Sua meteórica ascensão deu-se ao impulso dessa sociedade e de sua própria audácia, até que a Lava Jato chegou.
Preso, o ex-deputado é acusado de crime gravíssimos. “As provas são, em cognição sumária, da prática reiterada, profissional e sofisticada de crimes contra a administração pública, por Eduardo Cunha, não só em contratos da Petrobrás, mas em diversas outras áreas, não raramente com o emprego de extorsão e de terceiros para colher propinas”, escreveu Moro. Transferido para Curitiba, ele se junta a ex-ministros, ex-senadores, ex-deputados e aos empresários que se dedicavam a ajudar em troca de propinas.
