Cobertura Regional / Candiota

Banner 845x110px

Âmbar afirma que Usina de Candiota não tem como participar de leilão de reserva

Usina está parada há mais de uma semana

Usina está parada há mais de uma semana

O Ministério de Minas e Energia (MME) lançou no último dia 22 de agosto, duas consultas públicas para o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) 2026.  A novidade do novo leilão foi a entrada do carvão mineral.

Contudo, a própria Âmbar Energia, que é proprietária da Usina de Candiota, descartou participação no certame, ao rebater um comunicado da Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE), que é mantida pela Associação Brasileira de Consumidores de Energia (Abrace). No comunicado da FNCE se apontou que à fonte do carvão teria algum favorecimento no LRCap e mencionou usinas como Candiota 3 (Âmbar), Itaqui e Pecém (essas duas últimas pertencentes à Eneva, que ficam no norte do país e usam carvão importado).

Continua após a publicidade
Adsense 845x110px

Conforme o portal Megawatt – especializado em energia, as regras propostas pelo MME para o certame incluem flexibilidade que não pode ser atendida pela termelétrica candiotense, que utiliza carvão nacional, extraído em Candiota mesmo. “Assim, não é possível orientar a produção carbonífera para atendimento justo e imediato à demanda, ao contrário de outras usinas que podem contratar entregas de carvão importado spot (contratos de curto prazo)”, assinalou o portal.

Em tom duro, a nota da Âmbar classifica as declarações da associação como irresponsáveis. “A FNCE e sua proprietária Abrace comprovaram que são capazes de tudo em sua luta eterna para impedir a contratação de energia de reserva pelo país, prejudicando os pequenos consumidores e garantindo que seus patrocinadores, grandes consumidores, não paguem o custo da segurança energética no mercado livre de energia. Ao contrário do afirmado irresponsavelmente pela FNCE, a participação da UTE Candiota 3 no LRCAP é economicamente inviável pelos termos do edital publicado na sexta-feira (22). A Âmbar lamenta que técnicos respeitados ignorem princípios básicos do mercado elétrico com o intuito de enganar a população sobre seus reais interesses”.

ENERGIA DE RESERVA

Os leilões de reserva buscam contratos que funcionam como um seguro energético: o país não compra energia imediatamente, mas assegura que haverá usinas prontas para operar nos momentos de maior demanda ou emergência. As empresas oferecem sua capacidade de geração, e o leilão define quais serão contratadas para reforçar a segurança do sistema elétrico. O mecanismo é considerado fundamental para evitar apagões e garantir a confiabilidade.

USINA PARADA

A Âmbar ainda não emitiu nenhuma informação sobre a paralisação da unidade, que aconteceu há cerca de uma semana. Segundo declarou ao TP o presidente da Associação Brasileira do Carbono Sustentável (ABCS), Fernando Zancan, a parada é por uma questão comercial e não tem relação com a sentença judicial proferida recentemente pela 9ª Vara Federal de Porto Alegre no âmbito de ação civil pública movida em 2023 por entidades ambientalistas. A decisão suspende as licenças ambientais de operação (LOs) tanto da Usina quanto da Mina de Candiota, exigindo uma série de adequações e que trouxeram novamente apreensão na comunidade regional.

A sentença, muito provavelmente será questionada no Tribunal Regional da 4ª Região (TRF4), porém ainda há interpretações distintas sobre a seu cumprimento imediato ou não. Isso também cria uma insegurança jurídica sobre o funcionamento da unidade, que vinha operando no mercado livre de curto prazo (spot) após o fim o contrato de longo prazo em dezembro de 2024.

Medidas legislativas estão em tramitação no Congresso Nacional para tentar garantir o funcionamento da Usina e dar tempo do processo de implantação de um Plano de Transição Energética Justa.