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Escola Jerônimo: Salas apertadas, sem ventilação e com exposição externa integram nova rotina dos estudantes

Passados cerca de três meses desde a interdição do prédio da Escola Estadual de Ensino Médio Jerônimo Mércio da Silveira, localizada na Vila Residencial, em Candiota, e a realocação improvisada dos cerca de 400 alunos no prédio cedido pela Prefeitura de Candiota – o Centro Cultural – ainda não há informações concretas acerca do futuro da instituição de ensino.

Nesta semana, o jornal Tribuna do Pampa contatou com a 13ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) para saber a respeito do andamento dos processos de reforma da escola e instalação dos alunos no antigo hotel que pertence a Âmbar Energia, proprietária da Usina de Candiota, e que para mudança, também necessita de adaptações.

Conforme o retorno, sobre a obra de reforma do prédio, incluindo previsão de início e finalização, “ainda não foi feita a licitação porque está sendo feito o planejamento de arquitetura e engenharia, bem como o estudo do terreno e toda sua documentação”, informa a nota. Já sobre a realocação dos alunos no prédio da Âmbar, conforme da CRE, também não há previsão. “Ainda não temos esse prazo ou data, a documentação solicitada foi enviada para a Seduc (Secretaria de Educação do RS)”.

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Importante lembrar, que no início do mês de julho, em entrevista concedida ao TP, a titular da 13ª CRE, Carmem Bueno, havia informado que o prédio da Âmbar seria utilizado com previsão de até o final do ano de 2026 a fim de possibilitar o andamento da obra do prédio próprio da escola, cuja documentação estava em análise no setor jurídico da Secretaria. Na ocasião, a coordenadora afirmou que tudo estava sendo feito visando garantir a solução da situação, priorizando o bem-estar dos alunos e profissionais, e a continuidade das aulas em um ambiente seguro e acolhedor, que promovesse o aprendizado e o desenvolvimento integral de todos.

O QUE ACONTECEU

A escola, que possui 62 anos de fundação, apresentou problemas na rede elétrica, hidráulica e madeiramento, onde muitos estavam comprometidos pelo cupim, fazendo com que paredes começassem a ceder e fossem escoradas com madeiras. Ainda, pisos de madeira estavam com tabulados podres, assim como telhado comprometido, além da área externa não possuir acessibilidade, mas sim, diversos degraus. Os problemas deixaram as aulas interrompidas por duas semanas no mês de junho e uma reunião aconteceu na escola com a direção, pais, Círculo de Pais e Mestres (CPM), 13ª CRE e Coordenadoria Regional de Obras Públicas (CROP) do Estado, que após análise, emitiu um laudo sobre as condições da escola que foi interditada.

Condições da escola levaram a interdição do prédio

Nesta semana, a reportagem também fez uma visita ao Centro Cultural, que abriga também a Secretaria Municipal de Cultura de Candiota, para conhecer as instalações utilizadas pelos alunos nesses quase três meses. Conforme pode ser percebido, acontece o andamento das aulas para todas as turmas, com esforço e comprometimento da direção, professores e funcionários, porém, é perceptível a necessidade de um melhor espaço para os alunos.

Projetado para ser inicialmente uma usina, a Candiota 1, o prédio não possui ambientes adequados para transformação em salas de aula, espaço acolhedor de refeitório e estrutura para reuniões de professores e atendimento a pais ou responsáveis de forma reservada. Ainda, o que foi visto foram salas pequenas que impedem a realização de trabalhos individuais nas turmas pela alta proximidade dos alunos, quadros em cima de mesas para professores passarem os conteúdos e ambientes ou muito frios ou extremamente quentes, tendo em vista que a maioria dos espaços destinados a salas de aula não possuem janelas que possam ser abertas, nem mesmo equipamentos de refrigeração ou aquecimento.

Uma aluna que não será identificada pelo jornal, relatou que há dificuldade dentro da sala até para ir ao banheiro. “As salas são apertadas, ficamos colados uns aos outros, quando um que está mais ao fundo quer ir ao banheiro, mais de um precisa levantar para aquele passar”, contou.

A professora de uma das salas disse que apesar da adaptação está preocupada com a chegada do verão. “A janela não abre, é toda a parede de vidro, sem cortinas. Hoje o sol já cobre toda a sala, mas como está frio até aquece, mas no verão vai ser bem quente”.

Sala registrada pelo jornal é mais ampla que as demais conhecidas pela equipe

No dia da visita do jornal, também precisou haver adaptação na merenda escolar, pois as mesas do refeitório estão instaladas no andar superior e devido a utilização do espaço, na ocasião, para fins da Secretaria de Cultura, não podia ser utilizado pela escola.

CPM

O TP ainda conversou com Rafaela Parodes, que na época da interdição da escola era presidente do CPM e que, segundo ela, a vigência do Círculo foi finalizada e o grupo aguarda nova eleição. Ela mostrou indignação pela demora nas respostas por parte do Estado. “Segundo nos foi passado o CPM não está vigente, mas como não aconteceu ainda a eleição, na teoria, a diretoria anterior ainda seria atuante. Por essas questões não estamos participando de reuniões sobre  o tema, mas recebemos informações que nos preocupam, pois há descaso por parte da CRE e do Estado quanto a soluções mais efetivas quanto a escola Jerônimo”.

Importante explicar que segundo apurado pelo jornal, estão havendo adequações na legislação estadual no que se refere a atuações do CPM, incluindo forma de atuação na comunidade escolar. A diretora da escola Jerônimo disse ao TP que independente de grupo oficial de representatividade, é fundamental a participação da comunidade escolar. “Quanto mais estiverem conosco, melhor pra nós, para as crianças, para todos. Somos uma escola aberta para a participação dos pais e responsáveis. Nossa compreensão é de uma gestão bem democrática”, afirmou Maria Elaine.

ORGANIZAÇÃO

Sala registrada, na ocasião sem aluno, é exemplo de exposição externa e falta de ventilação

A reportagem conversou com a diretora da escola Jerônimo, Maria Eliane Escoto da Fontoura, quando questionou de que forma a escola estava se organizando desde a chegada ao Centro Cultural, especialmente depois de verificar as condições dos espaços. Ela lembrou que Candiota não possuía um lugar completamente adequado para abrigar a escola, mas que conseguiram se organizar. “Nós temos espaço para todas as salas, todas as turmas estão sendo atendidas, temos tudo o que precisamos aqui, inclusive as avaliações individuais estão sendo feitas em uma sala separada, mais ampla, mediante agendamento do professor e uma reorganização da estrutura avaliativa. Mas ainda falta alguma coisa, porque agora nós estamos saindo de uma estação que é frio e entrando no calor. As salas são bem apertadas e a parede do lado externo, que dá pro lado do pátio é de vidro. Falta ventilação, não temos janelas, trabalhamos com portas abertas. Mas até então as coisas estão em andamento, mas com dificuldades”.

DIFICULDADES

Quadros estão provisoriamente em cima de mesas para professores passarem conteúdos aos alunos

Além das salas pequenas e sem ventilação, o jornal perguntou se haviam outras dificuldades. A diretora citou que há impacto no trabalho administrativo. “Não há um local reservado para algumas atividades. Estamos na fase de prestação de contas e há bastante circulação de pessoas por ser uma área aberta, adaptada. Algumas questões ficaram difíceis, a Secretaria, por exemplo, apesar de estar no Centro Cultural, precisa voltar ao prédio interditado sempre que necessita de alguma documentação de aluno, pois não tínhamos como trazer tudo para o Centro Cultural. Sem contar que assim como as salas, sofremos em decorrência da temperatura, pois a rede elétrica não comporta aquecedores e ventiladores, por exemplo. A Prefeitura se mostrou solícita, mas houve anteriormente um arrombamento e um transmissor foi furtado”.

NECESSIDADE

Associado a dificuldade, a diretora ao ser questionada pela reportagem acerca da necessidade atual da escola enquanto a reforma não acontece, Maria Elaine cita um espaço para que pudesse ocorrer uma organização da escola como um todo. “Aqui no Centro Cultural, como é temporário, não temos todos os recursos disponíveis. A parte de informática, por exemplo, não temos, o sinal de internet aqui é difícil, fazendo com que os alunos não tenham acesso. Inclusive tivemos dificuldade em realizar as avaliações externas. No prédio cedido pela Âmbar nos adaptaríamos, pois as salas são grandes e comportariam divisórias, seria melhor distribuído. As aulas estão acontecendo, mas nos preocupamos com a qualidade repassada as alunos”, disse a diretora.

BRINCADEIRAS

Por outro lado a diretora cita um ponto positivo com relação às aulas no Centro Cultural – espaço para brincadeiras externas. “No prédio próprio não há acessibilidade e frequentemente tínhamos alunos machucados devido a escadas e degraus. Com isso, na hora do intervalo, muitos acabavam utilizando bastante o celular. Hoje, esse uso diminuiu bastante, alunos trazem brinquedos, andam de skate, de bicicleta, fazem brincadeiras ao ar livre, isso é muito positivo e mostra também a necessidade de um ambiente escolar adequado para o momento de lazer”.

SEGURANÇA

O Centro Cultural é um espaço público e que há algum tempo sofreu arrombamento. O TP perguntou a gestora escolar sobre a segurança do espaço. Ela disse que existe sim preocupação por não haver controle de quem chega ou sai do pátio no entorno do prédio que possui ligação direta com o Mirante do Básico por meio de trilha. “O portão é longe e qualquer pessoa pode entrar. Há muito vidro e a trilha que dá acesso direto. Fizemos algumas adaptações, fechamos alguns acessos, contudo é preocupante”, finalizou.

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