A primeira sessão da nova câmara de Pinheiro Machado, ocorrida na última terça-feira (3) – quando sete dos nove vereadores são novatos -, foi marcada por pronunciamentos indicando unidade entre os parlamentares para a recuperação da cidade – que vive uma crise dentro da crise. Os discursos todos apontam que as bandeiras partidárias são secundárias no atual momento.
Também, a sessão foi a primeira, depois da posse, presidida pelo presidente Jaime Lucas (PMDB) – vereador que vai para seu quarto mandato consecutivo (mas que jamais havia assumido a presidência) e que junto com Renato Rodrigues (PSDB) são os únicos que se reelegeram. Na primeira sessão, todos ocuparam a tribuna para se pronunciar.
GILSON – O Partido dos Trabalhadores (PT) assume pela segunda vez uma cadeira na câmara da Terra da Ovelha. O primeiro foi Alex Duarte Oliveira, o Léco, quando o PT governou a cidade de 2009 a 2011 com o prefeito Luiz Fernando Leivas, que foi cassado pela própria câmara em outubro de 2011 por não responder aos pedidos do Legislativo.
O vereador Gilson Rodrigues foi o primeiro a se pronunciar nesta terça. Ele, que é oriundo do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e atualmente é diretor da Crehnor/Cresol, promete fazer um mandato propositivo. “Não vim para esta Casa para atrapalhar. Daqui quatro anos que digam que eu ajudei a construir um município melhor”, prevê.
O petista abriu seu pronunciamento propondo união de toda a comunidade, bem como, dos vereadores e do prefeito Zé Antônio e o vice Jackson Cabral. “Se for preciso eu pego na enxada, na foice, para limpar a cidade e receber as visitas na Feovelha”, assinalou.
Ainda, Gilson convocou os demais colegas a buscarem parcerias com seus deputados federais para emendas parlamentares. “O Marcon (deputado Dionilso) já garantiu R$ 300 mil para Pinheiro em 2017. Mas acho que dá para chegar em R$ 500 mil”, antecipou.
JAIME – Em seu primeiro pronunciamento como vereador nesta nova legislatura, Jaime Lucas (PMDB) afirmou que o vereador Gilson foi muito feliz em sua fala. “Não temos óleo, não temos pneus e maquinário, mas juntos podemos encontrar saídas. Uma senhora me disse que se o prefeito Zé Antônio limpar e iluminar a cidade, já é muito. A comunidade está ciente das dificuldades também. Eu também boto um chapéu de palha e vou capinar, pois vim de baixo”, se dispôs.
Dizendo que na semana que vem já existe uma pré-agenda em Porto Alegre, o presidente do Legislativo assinalou que este espírito em que todos estão imbuídos, na busca de soluções conjuntas pode deixar o fardo de Zé Antônio e Cabral mais leves.
Ao fim da sessão, antes de encerrá-la, Jaime reforçou o pedido para que todos se deem as mãos em prol do município.
WILSON – O também estreante Wilson Lucas (PDT) reafirmou, através de um discurso escrito, suas responsabilidade em prol das comunidades da cidade e do interior, bem como, sua total disponibilidade nas iniciativas do Executivo, as quais visem melhorar a prestação de serviço público. “Continuo com a mesma postura humilde e não vou tolerar desperdício do dinheiro público, muito menos o seu uso incorreto que beneficie o bolso de alguns. O povo está cansado de tanta corrupção neste país, portanto nós temos que começar a dar bons exemplos nos municípios”, afirmou.
MATEUS – Oriundo do movimento sindical, pois é o atual presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Pinheiro Machado, o vereador, que é também marinheiro de primeira viagem no Legislativo, mas que possui experiência política, Mateus Garcia (PDT) fez um discurso pautado na busca do desenvolvimento regional, que, segundo ele, é a saída para a cidade também. “Sou um entusiasta dessa bandeira”, disse.
Afirmando que perseguirá durante o seu mandato as metas a que se propôs, que são a segurança, renda, saúde, educação e turismo, Mateus fez uma longa explanação sobre a experiência da Associação para o Desenvolvimento Sustentável do Alto Camaquã (ADAC), a qual ele preside, e que, segundo o vereador, é um exemplo que deu certo e que resume aquilo que acredita. Congregando os municípios de Bagé, Caçapava do Sul, Canguçu, Encruzilhada do Sul, Lavras do Sul, Piratini, Pinheiro Machado e Santana da Boa Vista, a ADAC desde 2009 debate e encaminha soluções de desenvolvimento conjunto. “Não podemos achar que Pinheiro Machado sairá do barro sozinha”, enfatizou.
CABO ADÃO – O vereador tucano Adão Martinho Pacheco Santos, ou simplesmente Cabo Adão, afirmou que é parceiro neste processo de união e que também é preciso uma maior fiscalização das grandes empresas que atuam no município, principalmente as do ramo madeireiro, no sentido de aumentar a arrecadação.
RENATO – O também tucano Renato Rodrigues afirmou da mesma forma que está disposto a ajudar num grande mutirão de limpeza da cidade.
FABRÍCIO – O vereador do PSB, Fabrício Costa, disse que o seu partido será parceiro do governo para o que for bom para a cidade. “Nossa proposta não é atirar pedras. Nós reconhecemos que a maioria da população elegeu Zé Antônio e ele é o prefeito. Não é porque estávamos defendendo outra candidatura que não vamos ajudar”, afirmou.
Dizendo que vem da iniciativa privada, o vereador, por outro lado, cobrou que se faz necessário pensar e fazer a gestão pública com excelência para que se obtenha melhores resultados.
SIDINEI – O também socialista Sidinei Calderipe, em seu primeiro pronunciamento, disse que por ser da zona rural, vai cobrar muito do prefeito a questão das estradas, lembrando que há muita precariedade neste sentido. De forma prática, propôs que a prefeitura reative a fabricação própria de bueiros. “Grande parte dos problemas das estradas são por falta de bueiros e temos uma fábrica de cimento no município”
RONALDO – O ex-vice-prefeito e vereador mais votado do município, Ronaldo Madruga (PP), disse retornar ao Legislativo (foi vereador no período 2009-2012) estar mais maduro e sabendo que as coisas são difíceis e que é preciso dar tempo para o governo se organizar. “Não há como cobrar nada ainda devido a série de dificuldades que a crise impõe. Tudo o que for para o bem do município seremos favoráveis”, resumiu.
RECESSO – Durante o mês de janeiro as sessões ordinárias na câmara pinheirense seguem acontecendo normalmente, sendo que em fevereiro há o recesso, retornando os trabalhos em março. Já nesta sexta-feira (6), por um acerto de líderes, deve acontecer a primeira sessão extraordinária nesta nova legislatura, quando será votado um projeto de lei, que permite a contratação de um assessor para a bancada do PT – que por não ter assento na legislatura anterior, estava descoberta legalmente esta contratação.








