
Ao fazer o relato da história, professor indicava pontos importantes do local
A última quarta-feira (10) foi emocionante num dos campos da localidade de Seival, no interior de Candiota. O professor de História da escola estadual Jerônimo Mércio da Silveira, Tailor Lima, levou ao local seus alunos do ensino médio e séries finais do ensino fundamental, onde, segundo seus estudos, foi a região em que se travou a épica Batalha do Seival há exatos 189 anos, em 10 de setembro de 1836, durante a Revolução Farroupiha (1835-1845).
O local era na época município de Piratini – cidade que se transformou na primeira capital do novo país, após o general Antônio de Souza Neto ter vencido a mais relevante contenda da revolta republicana e ter proclamado no dia no dia seguinte (11 de setembro), a poucos quilômetros dali, às margens do arroio Jaguarão, a República Rio-grandense.

Além de um áudio, professor utilizou imagem de uma baioneta (peça que se encontra no museu Dom Diogo de Souza) que foi encontrada na região e até um cavalo para encenação
O professor ministrou uma aula externa numa propriedade rural, que além de ter sido palco no passado do histórico combate, também abrigou a primeira vinícola industrial do Brasil, a J. Marimon & Filhos (fundada em 1888) – o prédio em ruínas ainda está lá.
SONHO ANTIGO

Tailor Lima ressaltou a relevância histórica do local e importância de um trabalho voltado as potencialidades turísticas do município de Candiota
Advogado aposentado, autor do livro Candiota ‘Terra de riquezas, lutas e conquista – uma viagem no tempo’, ex-vereador e presidente da comissão que emancipou Candiota, o professor Tailor disse ao TP que a aula era parte de um sonho antigo. Mas também, segundo ele, em ser uma forma de mostrar a potencialidade, inclusive turística de Candiota, que abriga esse recorte mais que importante do maior acontecimento da história gaúcha, que foi a Revolução/Guerra Farroupilha. “Fomos juntando fatos históricos que comprovam que aqui foi o local da batalha. Temos os marcos às margens da BR-293, que são importantes para a divulgação da cidade, mas a ideia das aulas é para que isso se multiplique, que consolide este local como um patrimônio histórico e cultural do município e do RS, com um valor inestimável. As aulas podem contribuir – e vamos seguir fazendo elas, para quem sabe daqui uns anos termos aqui um monumento e que seja um ponto de referência estadual e nacional”, projeta.
Para o aluno do 2º ano do ensino médio matutino, Mathias Raupp, as aulas também têm o poder de resgate do pertencimento. “Muito importante para a gente relembrar as nossas raízes, porque elas estão se perdendo. Também a aula nos reforça a importância de sermos rio-grandenses, de sermos gaúchos, que é sinônimo de força”, assinala.
ÁUDIO TRANSCRITO DA AULA
“No dia 10 de setembro de 1836, os Campos dos Menezes, atual município de Candiota, foi palco de um violento combate. De um lado os caramurus das tropas imperiais de Silva Tavares. De outro os farrapos da Primeira Brigada de Cavalaria, comandados por Antonio de Souza Netto. Há quase 200 anos esta é uma história que, de tempos em tempos, tem que ser recontada.
O cenário pré-revolução Farroupilha, na Província de São Pedro, era de descontentamento com o Império Brasileiro. Os pesados impostos sobre o charque dos gaúchos e ideais da Revolução Francesa dividia a Província em dois blocos: um imperialismo centralizador e o outro de farrapos republicanos.
Em meio a esse cenário,pós tomada de Porto Alegre, em 20 de setembro de 1835, o coronel Bento Gonçalves destacou o Coronel Antônio de Souza Netto para conter as tropas do Império, que voltavam das bandas do Uruguai.
Conforme registros do Jornal Correio do Sul de 1936: O escrivão Laudelino da Costa, filho do major José Ignácio de Medeiros, que tomou parte na Batalha do Seival, nas forças do coronel Silva Tavares, relata ter ouvido de seu pai que os farrapos cruzavam os Campos dos Menezes, perto do Arroio Seival, onde hoje são ruínas da Vinícola Marimom como local da Batalha do Seival. Assim, na tarde do dia 10 de setembro de 1836, os dois grupos se encontraram aqui neste local e os imperiais avançaram na direção dos farrapos.
Depois de cargas de fogo, se atracaram de lança e espada. Do lado farroupilha eram cerca de 430 homens e os imperiais levavam vantagem numérica com mais de 550 combatentes.
A coisa tava ficando mais feia que sapato de padre. No começo, a peleia foi muito desfavorável para os farrapos. Os comandados de Neto se defendiam, em meio a fumaça de trabucos e garruchas, até que assustado, o cavalo de Silva Tavares, com a cabeçada de freio arrebentada por uma lança, saiu em grande disparada. Sem controle, dando a impressão de fuga aos mais de 500 combatentes imperiais.
Então, os farrapos, sob o comando de Netto, do Exército Libertador, aproveitando a confusão, atacaram as tropas imperiais com força total.Do lado imperial foram 160 mortos, 63 feridos e mais de 100 prisioneiros. Os farrapos tiveram poucas baixas, 26 mortos, que foram sepultados no campo de batalha.
A vitória sobre os imperiais foi entusiasmante e muito comemorada. No outro dia, às margens do arroio Jaguarão, em 11 de setembro de 1836, pouco abaixo do Passo do Lageado, Antônio de Souza Netto, ainda no acampamento, diante da tropa perfilada, proclamou a Republica Rio-grandense.
Netto tinha apenas 32 anos. Era o início de um sonho de se construir: uma pátria, uma república com liberdade, igualdade e fraternidade.”
JÁ FOI NOTÍCIA NO IMPRESSO