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Bagé aprova parcelamento histórico de 300 meses do Fundo Previdência dos servidores

Parcelamento aprovado permite fôlego à Prefeitura pelos próximos 25 anos

Parcelamento aprovado permite fôlego à Prefeitura pelos próximos 25 anos

Foi aprovado no final de dezembro (29), o projeto de lei (PL) de vistas a celebrar parcelamento e reparcelamento de débitos junto ao Fundo de Pensão e Aposentadoria do Servidor (Funpas) em 300 meses (25 anos). A medida, em consonância com lei federal que atende à demanda dos Regimes Próprios de Previdência (RPPS), garante a manutenção das aposentadorias dos servidores municipais, atrelando o pagamento das referidas prestações à retenção no Fundo de Participação dos Municípios (FPM), repassado pela União.

Com a aprovação do PL, o município poderá aderir ao parcelamento especial instituído por lei federal e encaminhar a quitação de uma dívida que totaliza R$ 665,4 milhões. Segundo a Prefeitura, desse valor, R$ 218,4 milhões decorrem de Notificação de Auditoria Fiscal emitida em 2023, que não foi contestada nem reconhecida pela gestão anterior, resultando na perda dos prazos legais.

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Esse montante envolve contribuições patronais não recolhidas entre 2017 e 2023. Outros R$ 212,6 milhões referem-se a Notificação de Auditoria Fiscal de 2013. A atual gestão reconheceu os montantes anteriormente não reconhecidos, mas os contestou, exclusivamente como requisito para viabilizar o parcelamento. Esses valores permanecem em disputa judicial e poderão ser revertidos, conforme o andamento do processo. Somente em 2025, o município já repassou R$ 87,4 milhões ao Funpas, compreendendo retenções, contribuições patronais, alíquota suplementar e parcelamentos.

AVANÇO

De acordo com a presidente do Funpas, Ana Maria Gonsales, o parcelamento representa um avanço importante diante de uma dívida histórica. “Existiam muitas dívidas da prefeitura com o Funpas e, desde 2023, não vinham sendo repassadas as contribuições patronais nem os parcelamentos. A lei que prevê o parcelamento em 300 meses é federal e atende uma demanda dos regimes próprios. Ela não resolve tudo, mas dá uma garantia fundamental para a manutenção das aposentadorias, já que o valor passa a ser descontado diretamente do FPM, todos os meses”, destacou.

A presidente também ressaltou que outras medidas seguem em andamento. Segundo ela, o município fará um aporte de R$ 12 milhões ao Funpas, valor que será aplicado por cinco anos, independentemente do parcelamento e do recolhimento das contribuições patronais. “Hoje, todos os valores repassados pela prefeitura são utilizados para pagar os aposentados e aplicar o restante em fundos oficiais. A folha atual é de R$ 6,5 milhões mensais”, explicou.

Ela também destacou a preocupação da atual administração com a situação previdenciária. “Há um novo olhar da gestão como um todo. Participamos de muitas reuniões e percebemos comprometimento não só com o servidor da ativa, mas também com o aposentado. Em julho, quando nós assumimos o Funpas, tínhamos cerca de R$ 66 milhões aplicados, e hoje já ultrapassamos R$ 80 milhões. Esse cuidado é essencial, especialmente considerando que muitos aposentados com paridade não têm reajuste há mais de sete anos e não recebem vale-alimentação”, concluiu.

O prefeito Luiz Fernando Mainardi destacou o impacto da medida a longo prazo. “Nós, às vezes, não nos damos conta da importância da equação econômica, administrativa e previdenciária para o futuro dos servidores. A Câmara fez história neste 29 de dezembro ao aprovar este projeto”, disse.

Ainda segundo Mainardi, cabe aos prefeitos, nos próximos mandatos, assumirem a tarefa de proteger o Funpas. “Se nos próximos 25 anos, nós, os prefeitos, formos responsáveis, estaremos entregando aos servidores e à comunidade de Bagé um sistema previdenciário que dê tranquilidade de que, depois de aposentadas, as pessoas terão seus direitos respeitados sempre”, ressaltou.

DESAFIO

Mainardi afirmou que o enfrentamento dessas dívidas tem caráter histórico e destacou a dimensão do desafio assumido pela gestão. “Quando Bagé lidou, alguma vez, com valores tão expressivos de dívidas do município? Estamos resolvendo um problema histórico”, questionou. Segundo o prefeito, os montantes envolvidos são tão elevados que, à primeira vista, parecem distantes da realidade local. “Em alguns momentos, isso mais parece assunto de capital ou até de Estado, tamanha a dimensão dos valores”, completou.

Mainardi finalizou alertando para as consequências de não enfrentar o problema com responsabilidade. Ele comparou a situação a casos em que empresas deixam de cumprir obrigações trabalhistas, são acionadas judicialmente e acabam quebrando, e afirmou que, no caso do município, o risco seria ainda mais grave. Segundo o prefeito, comprometer a Previdência significa colocar em xeque o futuro de Bagé e prejudicar toda a comunidade, já que a falta de recursos impacta diretamente a capacidade de investimento e a prestação de serviços públicos essenciais, especialmente em obras e infraestrutura.

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