Uma iniciativa que pode num futuro próximo se transformar numa Festa Municipal, dadas as características de Candiota, marcou o último dia 23 de dezembro, em meio as comemorações natalinas na praça central.
Obedecendo a lei municipal n° 2.778, de autoria do vereador Ataídes da Silva (MDB), sancionada no último mês de novembro pelo prefeito Luiz Carlos Folador (MDB), a Prefeitura homenageou 10 migrantes e imigrantes, sendo cinco deles em memória. Pela lei, o dia 18 de dezembro de cada ano ficou estabelecido como o Dia Municipal do Migrante e Imigrante. A coleta de informações sobre os homenageados, além do subsídio para o evento, teve a contribuição do professor e historiador, advogado aposentado, ex-vereador e presidente da Comissão de Emancipação de Candiota, Tailor Lima.
Desde o descobrimento do carvão mineral em terras candiotenses pelo francês de nascimento, marechal Emílio Mallet, em 1827 (há quase 200 anos), que Candiota é uma terra de braços abertos aos ‘forasteiros’ – homens e mulheres que ao longo do tempo aqui estabeleceram suas raízes para ajudar a construir a localidade e desde 1992 um novo município.
Candiota tem o DNA dos imigrantes e migrantes, que juntamente com os nativos construíram e ainda constroem uma bela história. A ideia das homenagens e quem sabe uma festa no futuro, além do ato em si, possui simbolismo de reforçar o espírito de pertencimento.
A entrega dos certificados contou com a presença do vice-prefeito Marcelo Gregório, secretários municipais, vereadores(as), homenageados e familiares.
CONFIRA UM POUCO DA HISTÓRIA DE CADA HOMENAGEADO
JOSÉ MARIMON – Imigrante internacional (em memória)

Nasceu em Barcelona, na Espanha, chegando a Candiota no início da década de 1880. Casado com Josefa Maron Torres, fundou a Primeira Vindima, com plantio de uvas finas importadas da Europa. Em 1888, legalizou a sua vinícola ‘Quinta do Seival’, sendo a primeira vinícola comercial do Brasil. Em 1911, transferiu a empresa para os filhos com a razão social J. Marimon & Filhos. No ano de 1923, a vinícola conquista medalha de ouro na Exposição Centenário, no Rio de Janeiro, bem como outras premiações em Turim, na Itália. O imigrante José Marimon e seus descendentes, também tiveram papel fundamental na formação da comunidade do Seival – primeiro núcleo urbano e embrião do município de Candiota.
ELIAS KARAM – Imigrante internacional (em memória)

Nasceu no Líbano, chegando à Candiota no final do século 19. Aqui, como comerciante, se estabeleceu junto a Estação Férrea Candiota, no Passo do Tigre, juntamente com seu primo Negem Karam, um verdadeiro artista no ofício de forjar ferro, fabricando artefatos rústicos e armas de fogo com padrão europeu. A ampla diversidade de produtos disponibilizados por Elias Karam, consolidou-se como referência comercial da região, em decorrência da frequente interligação com Pelotas e Bagé, pelos trilhos da Rede Ferroviária – a partir da Estação Candiota. Do casamento com Emília, Elias teve os filhos Jamil, Julieta, Sulema, Salim e Pedro – este casado com Maria Ieda Dias Karam, que foi a primeira educadora do Passo do Tigre, na Escola Elias Karam.
ADEMA DUARTE – Migrante Comerciante (em memória)

Filho de pais uruguaios, migrou para Candiota no ano de 1960. Aqui se estabeleceu com comércio às margens do arroio Candiota e próximo do Passo Real. Além do bar e do armazém, incrementou com fruticultura, piscicultura, borracharia, oficina, olaria e incursões pela construção civil. No ano de 1964, o empreendedorismo de Adema se notabilizou com o seu posto de combustíveis. Por muitas décadas foi o único posto entre Pinheiro Machado e Bagé e junto à emergente indústria de Candiota. Adema Duarte, também exercia seus dons artísticos tocando gaita de oito baixos e organizando bailes, movido pela incansável busca de experiências e novos negócios.Para familiares e amigos deixou o legado de homem íntegro, reto, visionário e ao mesmo tempo bem humorado com suas histórias fantásticas.
JOÃO HENRIQUE DILL DUARTE – Migrante Mineiro (em memória)

Filho de Dirceu Palomeque Duarte e Serenita Duarte, migrou para Candiota no ano de 1961. Aqui estudou e exerceu atividade profissional junto a CRM, como desenhista, por mais de 37 anos. Com um talento e vocação inata para as artes, deixou seu legado de forma indelével, com sua criatividade e amor pela beleza e pelas artes em geral. Fotógrafo profissional, com um olhar artístico, registrou e reproduziu a história de Candiota por mais de 40 anos. Em 1978 participa da invernada artística do CTG Luiz Chirivino, onde também foi posteiro e membro da patronagem. Participou ativamente da criação da Associação dos Cavalarianos de Candiota (ACC), acompanhando e registrando desde a primeira cavalgada. Foi criador e presidente do Núcleo de Pesquisa Histórica de Candiota e defensor da criação de um museu municipal. Atuou, ainda, com obras em cerâmica e criação da Associação dos Ceramistas de Candiota. Um homem a frente do seu tempo, pesquisador, profundamente consciente do papel social da arte e da cultura.
GREGÓRIO FERREIRA – Migrante Agricultor (em memória)

Filho de Francisco Xavier Ferreira e Maria das Neves Ferreira, que vieram de Cerro Largo, no Uruguai, no início do século 20. Aqui em Candiota, Gregório Ferreira construiu sua vida familiar, social e política. Foi Presidente do Clube Social Santa Rosa, antiga e tradicional sociedade recreativa e esportiva do Seival. Na final da década de 1980, foi subprefeito eleito, por 4 anos, quando prestou significativos serviços à comunidade. Participou ativamente do processo de emancipação de Candiota, sendo o principal líder do movimento em Seival. Foi eleito vereador na primeira eleição de Candiota, sendo o condutor da primeira mesa diretora da Câmara de Vereadores. Do casamento com Sueli Pereira Ferreira, teve o filho Heitor Vagner, que foi secretário municipal de Cultura no período de 1997-2000.
TORÍBIO CASTRO FILHO – Migrante Eletricitário

Filho de pais moradores em Pelotas, migrou para Candiota no ano de 1964. Aqui, se casou com Ana Nita Madruga Castro e tiveram quatro filhos, três deles, hoje, eletricitários em Candiota. Com formação de técnico em mecânica, foi contratado com outros sete recém formados, entre eles Tadey Ortiz – ainda hoje também morador de Candiota. Como eletricitário, por mais de 32 anos, também foi chefe de setores, de turnos e presidente da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA). Foi tesoureiro do Sindicato dos Eletricitários por 12 anos e delegado da Associação dos Funcionários da CEEE (AFCEEE), por mais de 10 anos. Em 1967, participa ativamente da Associação dos Servidores da Central Termoelétrica de Candiota, transformada no Clube Recreativo Candiota, onde foi presidente. Todos os seus filhos estudaram na Escola Jerônimo Mércio da Silveira, onde foi do Círculo de Pais e Mestres por muitos anos.No futebol foi jogador, treinador e presidente do Grêmio Esportivo Candiota. No CTG Candeeiro do Pago foi do conselho de vaqueanos e sota capaz por mais de 6 anos. Militou politicamente na MDB e depois no PT. Na primeira reunião pró-emancipação política de Candiota, em 8 de novembro de 1990, lá estava Toríbio Castro, motivado e participativo.
ODILO DAL MOLIN – Migrante empresário

Migrou de Sobradinho (RS), chegando em Candiota no ano de 1968, onde construiu sua vida familiar, profissional e política. Aqui, como empregado, desempenhou atividades nas empresas Mello Pedreira e Miguel Arlindo Câmara. Em 1983, assumiu como gestor-proprietário da Empresa Entel Construções e Transporte Ltda. Sua empresa, com sede em Candiota, já na década de 1980, contava com mais de três mil funcionários. Como empresário e formação teológica, ao longo do tempo, prestou significativos serviços sociais à Candiota, como a doação da construção do prédio do Clube de Mães Mãe Cleci. Empresário com um olhar mais amplo sobre o impacto na sociedade, foi fundamental suas doações para custear as despesas com o plebiscito da emancipação de Candiota. Sua experiência profissional e política o levou ao executivo municipal, em 1993, sendo o primeiro prefeito de Candiota. Como prefeito visionário, entre outras ações, projetou e executou a Avenida 24 Março, a mais importante via urbana da cidade. Em 1993, criou o festival de música nativista, nosso renomado Canto Moleque. Em 1994, cria o Centro de Reabilitação e Apoio (CRA), com a intenção de existir um lugar onde crianças com dificuldades na sua aprendizagem ou falta de interação social, pudessem ser atendidos nas suas particularidades – hoje uma referência regional neste tipo de atendimento.
PAULO LEARCI DE ANDRADES – Migrante Mineiro

Filho de Cídio de Andrades Jacob e llda Nunes de Andrades Jacob, mineiros de Minas do Leão, migrou para Candiota no ano de 1961. Aqui estudou e construiu sua vida social e profissional. Com formação em eletrotécnica e graduado em administração de empresa e ciências contábeis, desempenhou atividades profissionais na CRM por mais 19 anos. Histórico militante político, participou da criação do PDT de Candiota, onde foi presidente e secretário. Sua experiencia profissional e política o levou a desempenhar atividades no poder público, como servidor na Prefeitura de Candiota, assim como no Centro de Educação Popular e Pesquisa em Agroecologia (Ceppa), onde foi contratado como administrador. No Clube Mina de Candiota foi diretor social e secretário. Religioso convicto, atuou como secretário e tesoureiro na comunidade católica da Igreja Imaculada Conceição. Fez parte da invernada artística do CTG Luiz Chirivino, onde foi o 1º posteiro no final da década de 1960. Participou ativamente no processo de independência política de Candiota, sendo secretário da comissão emancipatória.
Participou da Associação Candiotense de Incentivo à Arte e à Cultura (Aciac) – Rádio Interativa FM 104.9, onde foi diretor financeiro.
JOÃO BATISTA REVELANTE – Migrante Comerciante

Morador de Foz do Iguaçu (PR), no período das obras da Usina Hidroelétrica de Itaipu, migrou para Candiota no ano de 1985. Aqui se estabeleceu na Vila São Simão, junto a BR-293, com a família e sua atividade comercial. Seu incipiente comércio de secos e molhados, atendia de acordo com a procura da clientela, passando por ferragens, roupas e bebidas servidas no balcão. Comércio e empreendorismo andam de mãos dadas e o Buteco do João Revelante transformou-se em um grande supermercado e diversificada ferragem, com cerca de 20 mil itens. Em 1991, João Revelate transferiu suas atividades comerciais para a cidade, onde o seu estabelecimento é conhecido como “João tem Tudo”. Os filhos, Tiago e Diogo, também são visionários empreendendo em Candiota nas áreas de hotelaria, alimentação, ferragem, transporte e imobiliário. Religioso convicto, é ministro e coordenador da Paróquia Sagrado Coração de Jesus. É catequista e membro efetivo do grupo Renovação Carismática Católica. Em 1998, doou o terreno para construção da Igreja São João Batista, no bairro João Emílio.
Foi sócio-fundador do CTG Batalha do Seival. Acompanhou e participou do movimento emancipacionista de Candiota.
ROBERTO VIEIRA ORTIZ – Migrante Colono

Migrou para Candiota na trilha do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), chegando ao acampamento como quilombola assentado. Em 2001 foi sorteado e assentado em Candiota, no assentamento Companheiros do João Antônio, passando a ser o primeiro coordenador, organizando o 1º rodeio em áreas da reforma agrária, com provas campeiras e baile.Em 2005 ingressa no serviço público como agente de saúde na zona rural e identifica condições remanescentes de quilombos na região. Em 2006, com um grupo de assentados se declaram quilombolas e formalizam a Comunidade Quilombola de Candiota. Liderou a criação do estatuto da Associação de Remanescentes do Quilombo de Candiota e Afrodescendentes. Em 2013 ingressa no serviço público como secretário de escola, concursado, na Escola Municipal Santa Izabel. No seu Assentamento, ajudou a criar o Piquete Tropeiros dos Pampas, que participa anualmente dos desfiles e 20 de setembro.
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