
Os cavaleiros já estão indo embora depois de terminada a terrível missão. Precisamos olhar o que restou sobre a terra, se é terra o que vemos agora. Compreendemos então, porque aqueles que vivessem, iriam chorar lamentando a tristeza do cenário de dor.
Os senhores poderosos da guerra, verdadeiros espantalhos da paz, que se julgam acima das leis, mostram práticas hediondas, reverberando a fábula de Esopo, pela qual, a força se disfarça de justiça para legitimar e subjugar a predação do mais fraco.
As guerras generalizadas estão a cobrar um preço elevado das sociedades, desviando dinheiro que poderia ser usado em programas sociais e humanitários para o armamento. E, enquanto espalham a miséria, usam o armamento para fortalecer um nacionalismo tosco e uma xenofobia como não se viu antes, configurando um verdadeiro e enorme retrocesso de civilização, e ainda são capazes de mostrar “orgulho” de invadirem outros países.
Os tempos são áridos e inóspitos onde os discursos de exceção foram normalizados, a pós-verdade formou um coro, as teorias mais absurdas ganharam corpo e adesões. Cada uma com sua verdade, sua crença, seu ponto de vista imutável. São as teorias da opinião.
Sem fatos checados e na maior parte das vezes sem qualquer estudo prévio, são dados de uma achismo vazio. Estão faltando pontes para superar essa bárbara ruptura. Pontes entre as narrativas, pontes entre ambos os lados que não tem perspectiva de diálogo civilizado, o que é muito triste.
A versão é sempre mais importante que o fato!
Assusta-nos que possa existir uma psicologia financiada por empresas particulares infiltradas na sociedade, que trata, por exemplo, de explorar fenômenos como o nacionalismo, e depois usá-lo para influenciar pessoas que estão à margem do sistema, sim, isso é absolutamente assustador. Vivemos uma autêntica guerra de informações e existem bilionários que compram essas empresas de tecnologia da informação para tomarem conta do mundo, inclusive disapondo para si, informações que em tese, deveriam ser sigilosas, donos de uma quantidade interminável de dados para fazerem deles o que bem quiserem.
A desinformação e o ódio são carros chefes desse sistema, e a aberração política floresce através das famigeradas redes sociais. Está em curso a pedagogia do terror, a imposição de domínio através do medo entre os povos e comunidades. É através delas que os golpistas da era digital articulam sua trama, confiando no poder de convencimento pelo ódio e suas ramificações. O mundo está infestado de traidores, falsos profetas, agentes do maldito mercado, sabujos e subservientes, capazes de contar mentiras mil vezes até que se tornem “verdades”, uma verdade que serve unicamente a eles e seus interesses.
O descrédito às instituições é parte do organograma preparado por essa gente, como se nada mais existisse que pudesse ser confiável, a negação à justiça, a apologia contra a ciência e às vacinas são argumentos para sua incapacidade de raciocinar minimamente, pois sim, raciocinar é tarefa que não faz parte das suas agendas maquiavélicas.
Enfim, estamos assistindo a um mudo de horrores e creio que ainda não vimos tudo, infelizmente!
Convém que lembremos das crianças que um dia irão nascer. Será preciso encontrarmos pedras para escrever as palavras que foram esquecidas com o tempo, a fim de gravarmos uma mensagem para o futuro. Um futuro passado para o presente!
Espero que ainda possa escrever sobre coisas melhores. É o meu grande desejo!
“Nossa vida começa a terminar no dia em que ficamos em silêncio sobre as coisas que importam.”
MARTIN LUTHER KING JR.
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