Cobertura Regional / Candiota

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Sem equipe estadual há vários anos na cidade, Candiota tem contado com atuações voluntárias

Equipes têm atuado também com equipamentos costais e manuais

Equipes têm atuado também com equipamentos costais e manuais

As temperaturas mais altas e o surgimento de incêndios em vegetação sempre acaba levantando, em Candiota, a pauta de que o município não possui guarnição do Corpo de Bombeiros, sendo dependente da equipe de Bagé.

Conforme apurado pelo TP com a Secretaria de Meio Ambiente do município, que tem à frente como secretária Josuelem Duarte, nos últimos dias foram registrados seis incêndios em vegetação de mata nativa e eucalipto na cidade, sendo todos extintos por um grupo de voluntários com o apoio de caminhões-pipa das empresas SSM, CRM, Âmbar Energia, Transbalta, Tazay e Fagundes.

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Os números integram a listagem de controle da Secretaria, que já registra em 2025, 11 focos de incêndio. Há também registro de uma média de 22 focos em 2022 e 36 em 2023.

Segundo a secretária, a parceria entre as empresas e voluntários tem proporcionado ações efetivas de combate a incêndios no município, trabalho que teve início em virtude do município não possuir mais a unidade do Corpo de Bombeiros, ação proveniente de uma determinação estadual de que cidades abaixo de 40 mil habitantes não teriam mais uma unidade pelo alto custo.

“Não foi uma decisão do município e sim do Estado. Diversas vezes foi tentado reverter a situação, diretamente em Porto Alegre, mas a resposta foi sempre a mesma, que Candiota teria Bagé como referência, assim como os demais municípios do Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental dos Municípios da Bacia do Rio Jaguarão (Cideja), que possuem população inferior a 40 mil habitantes. Já desde o mandato anterior, observamos que os focos e incêndios são em vegetação. Logicamente que os Bombeiros de Bagé, em razão da distância, vão dar prioridade para fogo em prédio, em construção, em casa. Como a gente tinha muitas ocorrências e havia demora na chegada e se perdia mata nativa, a gente, vendo o fogo aumentar, começou a fazer o combate imediato”, relatou.

Josuelem explicou também que, como a Secretaria de Meio Ambiente atua de forma intensa com educação ambiental e já era responsável pela emissão de alvarás de licença ambiental, a questão de combate a incêndios também foi levada para dentro da Secretaria.

Os servidores possuem curso, treinamento e acabamos tendo ações efetivas com as empresas que têm caminhões-pipa, e há cinco anos esse trabalho de combate a incêndio acontece de forma efetiva. Como todos que vão implantar novos empreendimentos ou fazer atualizações precisam ter alvará dos bombeiros e do meio ambiente, atrelamos esse serviço na pasta, pois estamos sempre preocupados com a perca ambiental, de mata nativa.

TRABALHO VOLUNTÁRIO

A secretária afirmou ser importante a população entender que, quando tiver fogo em residência, os bombeiros vão se deslocar rapidamente e, enquanto isso, as empresas atuam como parceiras para dar o primeiro combate.

“A gente nunca vai só esperar que os bombeiros se desloquem. Claro que a gente gostaria que tivesse o corpo de bombeiros aqui em Candiota, mas temos a compreensão de que não é questão de querer, é de não poder ter mais.”

Josuelem lembrou que até antes da pandemia de Covid-19, o município possuía o Fundo Municipal de Reequipamento de Bombeiros (Funrebom), mas que, com a necessidade de saúde, o governo do Estado utilizou esse recurso e zerou a conta, valor que era pensado para ser utilizado na atuação de bombeiros voluntários na cidade.

“Novamente tentamos com o Estado esse recurso, mas não obtivemos sucesso, não há recurso disponível. Começamos a conversar com pessoas que tinham interesse em participar para realizar treinamentos para bombeiros voluntários e hoje contamos com um grupo de 12 pessoas que, quando há incêndio, são acionadas para o combate, apesar de não serem legalizadas, que acabam fazendo um trabalho voluntário na cidade”, relatou Josuelem, destacando que todo incêndio que tem acontecido, há pessoas voluntárias atuando para combater, sendo a maioria dos casos situações provocadas, de crimes ambientais.

Ainda, ela explicou que, em casos de incêndios, muitas vezes a Secretaria é avisada de imediato. “Preferimos que nos avisem primeiro, pois em algumas circunstâncias nem chamamos o caminhão-pipa, entramos no local com mochila costal, soprador, abafador, e andamos com bambonas de água no carro, onde atuamos sozinhos por não haver necessidade de acionar o caminhão, deixamos para casos de necessidade extrema.”

Josuelem mostrou preocupação com o número de casos recorrentes na Vila Operária. “O incêndio de domingo foi apenas um que atuamos, pois a grande maioria não mostramos. Temos observado a maioria dos casos na Vila Operária, com situações que indicam crime ambiental e já estamos alerta em virtude dos perigos e consequências do fogo em vegetação”, destacou Josuelem, que ainda acrescentou: “Nosso foco não é somente a eficiência no combate, mas também a identificação dos responsáveis pelos crimes ambientais.”

VOLUNTÁRIOS OFICIAIS

A secretária ainda lembrou que um acordo com o governo estadual para o município ter bombeiros saiu no Diário Oficial no ano passado e, desde então, a busca acontece por recursos.

“O prédio vai ser na Vila Residencial e passa por algumas adaptações para atender as normas exigidas. Vamos conversar com os vereadores para aprovar a criação da lei dos bombeiros voluntários e a lei do Furebom municipal, para assim sermos reconhecidos para buscar recursos e equipamentos. Lembrando que muitos municípios do Estado funcionam como voluntários e fazem um trabalho de excelência”.

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