Em tempos de desordem ou caos como queiram denominar, as histórias mais antigas, as vezes são “esquecidas” propositadamente, para que se jogue por inteiro a culpa a um só lado, sem dividi-la com quem faria jus.
Corria o ano de 99 quando o presidente do BC era Gustavo Franco em plena era Fernando Henrique. Franco decidiu que o câmbio fixo passaria a flexível e a economia desandou literalmente até que FHC o mandou embora, chamando Francisco Lopes para ocupar o cargo de presidente do BC. Chico Lopes como era chamado, lançou então a chamada banda diagonal exógena, expressão claramente usada para evitar questionamentos mais fortes fosse de que lado fosse.
O dólar estourou e levou de arrasto os bancos Marka de Cacciola e Fonte Cindam. O Brasil tinha reservas à época de US$ 23 bilhões mas o BC de Chico Lopes lançou mão de US$1,6 bilhões em socorro ao banqueiro Cacciola, que condenado criminalmente, fugiu para a Itália já que tinha dupla cidadania embora falsificada, de onde há algum tempo foi resgatado por ação da interpol e da justiça. Assim como Cacciola, Lopes e outros diretores do BC foram condenados mas somente Cacciola acabou preso.
Em setembro de 2015 o ministro Marco Aurélio Mello disse acerca do assunto lamentar que todos os condenados do caso Marka e FonteCindam continuassem soltos abusando de recursos e protelações para escaparem das grades.
Agora está em curso no Congresso Nacional projeto da legislação anticorrupção, visando combater o caixa 2, mas atentem bem os leitores e eleitores: fala-se abertamente na possível anistia para empreiteiras e políticos que cometeram deslizes em período anterior à validade desta lei.
André Esteves, dono do Banco BTG Pactual, na última eleição para presidente da República, doou R$9 milhões para Dilma, R$6 milhões para Aécio e R$7 milhões para o PMDB de Temer.
Marcelo Odebrecht, preso há mais de um ano, relatou recentemente que José Serra recebeu R$23 milhões, via caixa dois, em sua campanha presidencial de 2010.
O mensalão montado na estatal Furnas Centrais Elétricas, caso conhecido como a lista de Furnas, envolve inúmeros políticos supostamente beneficiados com dinheiro desviado da estatal, assim como mencionado pelo doleiro Alberto Youssef e o lobista Fernando Moura, os quais apontam o senador Aécio Neves como beneficiário dos desvios.
Aguardemos os futuros desdobramentos das operações, movimentos policialescos e do Judiciário para vermos se existe tratamento isonômico para todas as partes envolvidas.
