Colunas / Anibal Gomes Filho

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Entre o creme e o crime

anibal

Confesso-me assustado com o que vejo no quadro político do país de Pindorama, principalmente por ser oriundo de uma geração que viveu ou viu todas as lutas do povo brasileiro pela reconquista do estado democrático de direito, culminando na atual crise institucional em que vivemos.

Ao mesmo tempo também me surpreende a onda do conservadorismo que teima em ressurgir. Ao procurar entender tal fenômeno, me reporto à falta de segurança em que vivemos atualmente. Falta de segurança diária nas ruas, nas praças, nas nossas casas, no campo, isso tudo, reflexo da insegurança que nos passa o Congresso Nacional, sem caráter e sem credibilidade para nortear o povo brasileiro. Um Congresso omisso, incapaz, ao mesmo tempo, corporativo, visando seus próprios interesses em desfavor do clamor popular.

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Ao mesmo tempo vislumbro quase de forma majoritária uma mídia enveredando pelo mesmo caminho, estimulando esse mesmo conservadorismo, omissa na critica construtiva que deveria ter aos integrantes dos poderes Executivo e Legislativo nacionais, escorada num Poder Judiciário que por vezes se arvora herói da pátria, outras vezes deixando de combater a quem deveria, abrindo assim espaço para o aparecimento de oportunistas que esmagam e humilham minorias.

Não nutro nenhuma simpatia por quaisquer deles, políticos, ministros, desembargadores. Vivem eles entre o creme doce sorvido a cada dia com o suor dos sacrificados e o crime que todos os dias reaparece nos noticiários. Parece não lhes interessar saber o que pensamos deles, mas somente o que lhes faz bem e sacia seus apetites vorazes.

Pergunto-me se um Congresso assim constituído possui alguma moral para cobrar do povo os mesmos sacrifícios de sempre, quando eles não oferecem a contra partida adequada e justa?

Os congressistas em sua maioria precisam de sossego para arquitetar suas manobras na calada da noite, por isso é recomendável ao povo evitar manifestações de protesto que possam atrapalhar o trânsito, estimular provocações, gritar palavras de ordem e alimentar a mídia hipócrita.

Estamos vivendo tempos de liquidação do futuro onde a dilapidação do patrimônio é o núcleo da política econômica do governo, um plano de negócios que pode afundar ainda mais o país com a conivência do Congresso e da grande mídia.

Neste aspecto específico não tenho nenhuma dúvida de que assistimos um golpe previamente orquestrado, ou será que é difícil entender?