O que leva um menino, por assim dizer, de 21 anos apenas, deixar tudo para entrar no mundo do crime? Esta é uma questão a ser respondida pela sociedade e não apenas pelas autoridades ou pais.
Um jovem de classe média baixa, como milhões deste Brasil continental. Nascido e criado dentro de preceitos cristãos, de família boa, trabalhadora e com os problemas que toda família normal tem. Abandona tudo, a possibilidade de uma vida de sacrifícios, como a da maioria dos brasileiros, porém digna, para tentar a sorte no submundo, na marginalidade.
Ronison de Lima Soares, conhecido da comunidade candiotense, é o retrato de como a vida bandida está muito mais próxima de nós do que a gente imagina. Inquieto, promissor, rebelde, o jovem enveredou para o lado mau da força e se deu mal. Foi morto, como milhares de jovens brasileiros (basta ver as estatísticas), com um tiro desferido pelas forças policiais.
O jargão equivocado muito em voga nesses tempos de onda conservadora no mundo, de que bandido bom é bandido morto, muitas vezes é seletivo e usado apenas quando convém. O certo é que bandido é desde o que rouba o aposentado na esquina até aquele que rouba todos os aposentados de uma só vez.
Precisamos lutar por uma sociedade mais justa e que possa dar mais oportunidades, principalmente a nossa juventude, para que ela não se desencaminhe como Ronison, além de termos um sistema prisional que de fato recupere e que não que seja uma verdadeira universidade do crime.