No Brasil, invariavelmente misturamos política e futebol. Não há como dissociar, apesar de em alguns casos haver exageros e equívocos. Se tem visto e lido muito de que a conquista ou não da seleção brasileira da Copa do Mundo da Rússia não alterará em nada a nossa realidade fática. Isso nos parece algo óbvio.
O que pode mudar mesmo a nossa condição são as eleições de outubro, com o restabelecimento da democracia. Ademais, a conquista ou frustração na Copa do Mundo é um episódio esportivo e que não terá influência em nossa situação política e econômica. Nos tempos da ditadura militar, a conquista do tricampeonato de 1970 foi exaustivamente usado politicamente para anestesiar a população. Hoje em dia isso não é sequer viável, dado ao nível de esclarecimento que já atingimos. Mas nestes tempos, nosso espírito nacional aflora e isso é bom.
Contudo, há inconvenientes políticos com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) – a qual a seleção representa, pois é uma entidade enlameada pela corrupção. Controversamente, milhares de pessoas saíram às ruas em 2016 vestidos com a camisa da CBF contra a corrupção e para derrubar a presidente.
Enfim, o fato é que, mesmo uma pesquisa tendo auferido o desinteresse de nossa população pela Copa, sempre nos envolvemos de alguma maneira e acabamos torcendo, apesar de o futebol estar cada vez mais elitizado, bastando ver o perfil das pessoas que aparecem na maioria das imagens dos estádios russos.
Editorial