A adoção por parte do novo governo de Candiota de dois turnos na prefeitura é um antigo anseio da comunidade e por isso merece nossa consideração e apoio. Sempre que há a tentativa ou implantação dessa medida, o funcionalismo público municipal manifesta contrariedade. O fato é que para os funcionários que não moram em Candiota, o novo expediente gera dificuldades.
O Tribuna do Pampa sempre defendeu os dois turnos tanto no Executivo como no Legislativo, até porque a comunidade é beneficiada com a medida. Como já dito em outras ocasiões, o funcionário da prefeitura e da câmara de vereadores pode morar onde quiser – isso é decisão pessoal dele, contudo, o município não pode se adequar a isso e sim ao contrário. Aliás, ao longo dos anos, a lógica foi sempre essa e parece que atual administração pretende invertê-la.
De outro modo, é preciso deixar claro de que não é uma defesa contra o funcionalismo e sim a favor do conjunto da sociedade. Aliás, somos defensores de que os funcionários precisam ser valorizados constantemente, tanto nos salários como profissionalmente e devem ganhar o mais alto respeito dos governos – diferente da fórmula neoliberal em curso, que joga sobre ele a culpa da crise, cortando direitos, atrasando e parcelando vencimentos. Contudo, a implantação de dois turnos passa ao longe deste pensamento.
Salvo melhor juízo, o argumento do Sindicato dos Municipários (Simca) de que a medida dos dois turnos vai na contramão da economicidade, parece não se sustentar, quando se busca o número de horas extras que são necessárias na vigência do turno único. Não temos os valores em mãos, mas a impressão é que sai uma coisa pela outra. E, mesmo que os dois turnos seja algo um pouco mais caro, o custo-benefício é maior, portanto mais vantajoso para a municipalidade como um todo, pois ao cabo, esta é a razão do Estado existir.