Na verdade, esses políticos de plantão não se intimidam frente as autoridades policiais para acusar ou tirar o corpo fora para prestar depoimentos sobre seus crimes praticados neste país. Por tais atos, Eduardo Cunha se prepara para soltar a língua. Que bom que esse bandido fale a verdade e não esconda as mentiras que tem pronunciado, e sim, diga a verdade dos fatos. Mas, segundo seus advogados, ele não está disposto a negociar sua delação com a Procuradoria Geral da República. Cunha estuda propor um acordo à Polícia Federal, como fez, por exemplo, a doleira Nelma Kodama.
Até duas semanas atrás, esta opção estaria em Curitiba, hóspede da cela central da galeria de número 5 e vizinho do doleiro Adir Assad e do ex-ministro petista Antonio Palocci, que dividem o mesmo cubículo. A pedido do juiz Sérgio Moro, porém, foi transferido em 20 de dezembro para o Complexo Médico-Penal, em Pinhais, região metropolitana de Curitiba. Seguiu de lá a contragosto. Entre a determinação de Moro e a realização da transferência, os advogados do ex-deputado entraram com três recursos em instâncias superiores pedindo que seu cliente permanecesse na carceragem da PF. Entre os motivos alegados, listaram o fato de ser “vexatório” o processo de revista íntima por que passam as visitas dos presos. Os pedidos de Cunha não foram atendidos, e o ex-deputado se encontra agora sozinho na cela 605 do Complexo Médico-Penal. Sua mulher, Cláudia Cruz, visitou-o lá na antevéspera de Natal.
Certamente, Eduardo Cunha não é o que se pode chamar de um preso manso e tratável. Na PF, quando debutou na cadeia, já havia se recusado a tirar as digitais. Dessa vez, durante o exame de corpo de delito que os presos fazem no Instituto Médico-Legal quando passam por transferências, o ex-deputado resistiu à ordem de tirar a roupa para as fotos obrigatórias. Queixou-se de que o procedimento era “humilhante”, mas acabou cedendo. Cunha, foi obrigado a passar por mais de uma sessão fotográfica, já que manda a praxe que os presos recém-chegados sejam fotografados de uniforme: calça azul e camisa branca. Cunha está se habituando à ideia de que sua estada na prisão é por pouco tempo. Os pobres deste país por qualquer motivo quando são presos ficam por longos anos na cadeia, enquanto os abonados da Pátria são soltos quando praticam seus delitos, embora sejam criminosos em potencial.
