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Ex-prefeito de Hulha Negra defende que escolas não devam ter eleições para diretores

Para Marco Antônio, a direção da Escola Monteiro Lobato é tão importante quanto à direção da Secretaria Municipal de Educação

Para Marco Antônio, a direção da Escola Monteiro Lobato é tão importante quanto à direção da Secretaria Municipal de Educação

O ex-prefeito de Hulha Negra e colunista do Tribuna do Pampa, Marco Antônio Ballejo Canto, opina que as escolas não devam fazer eleições para a escolha de diretores. Em Hulha Negra, a lei municipal não prevê este tipo de escolha no ambiente escolar. A legislação foi justamente aprovada quando Marco Antônio era prefeito. A opinião do ex-prefeito é polêmica.

Para ele, quando o povo escolhe o gestor do município, o delega a condução de seu plano de governo apresentado e aprovado pela maioria da sociedade. “Isto inclui administrar as escolas do município”, assinala.

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Para Marco Antônio, transformar o ambiente escolar em ambiente de disputas politico-partidárias, administrar com diretores que boicotam a administração por serem vinculados a partidos de oposição, não tem levado a bons resultados. Ele lembra que quando Iara Wortmann, secretária da Educação, no governo estadual de Antônio Brito (1995 – 1998), implantou as eleições para diretores nas escolas estaduais (Lei 10.576/95, art. 7º), ficou facultativo as eleições. A lei diz que os diretores das escolas públicas estaduais poderão ser indicados pela comunidade escolar de cada estabelecimento de ensino mediante votação direta. “Comentei com ela na época, na rádio Cultura, em Bagé, que tinha tudo para dar errado. Na minha opinião, deu. A democracia significa respeitar o resultado das eleições. Não se deve criar novas eleições  que podem desvirtuar o resultado da eleição maior, a do prefeito, vice e vereadores, eleitos pelo conjunto do povo para administrarem o município ou fiscalizarem as ações do Executivo.

Em Hulha Negra, conforme o ex-prefeito, para a rede municipal de ensino, o diretor ou diretora da Escola Municipal Monteiro Lobato é tão ou mais importante que o secretária ou secretário municipal da Educação. “Pois em torno de 70% dos alunos da rede municipal de ensino estudam nesta escola”, assinala.

Citando um trecho do artigo “A gestão democrática da educação na rede estadual de ensino do Rio Grande do Sul, de Josiane Carolina Ramos do Amaral, Marco Antônio conclui sua defesa para a não realização de eleições nas escolas. “Os mecanismos que sustentam a gestão democrática do ensino público no Estado do Rio Grande do Sul desvelam aspectos que precisam avançar, pois a eleição para diretor não significa o rompimento com o autoritarismo, o patrimonialismo e o clientelismo. O funcionamento do Conselho Escolar não garante a participação real da comunidade escolar e a superação de políticas de manipulação e favorecimento. A autonomia administrativa, pedagógica e financeira não garante o atendimento às demandas da população. No entanto, a legislação construída deve ser vista como um importante instrumento indutor de mudanças nas práticas escolares, concebidas como um processo em pleno desenvolvimento”.