Em depoimento prestado à Justiça Federal, o ex-diretor Internacional da Petrobras Nestor Cerveró reinterou acusação contra os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Ele declarou ter sido indicado por Lula para diretor financeiro da BR Distribuidora, em 2008, como retribuição por ter ajudado a quitar uma dívida do PT com recursos de um contrato da estatal. Além disso, implicou Dilma numa suposta trama para livrá-lo da prisão. A oitava, por videoconferência, foi feita pela 10ª Vara, em Brasília, para instruir ação penal que avalia a suposta atuação de Lula e outros réus num esquema para evitar que Cerveró fizesse acordo de delação premiada. Cerveró foi comunicado da decisão na reunião do Conselho de administração da Petrobras, na manhã do dia 3 daquele mês.
Ele chegou a arrumar suas coisas e a se despedir de sua equipe, quando o ex-presidente da BR, José Eduardo Ditra, atualmente já morto, o comunicou da indicação para a distribuidora. “Já tinha tomada a decisão do presidente Lula de me indicar diretor financeiro da BR. A informação que me foi dada é de que isso seria um reconhecimento do trabalho que eu teria feito da liquidação da dívida do PT em 2006”, Declarou Cerveró. O ex-diretor atuou na contratação do Grupo Schahin para operar, por US$ 1,6 bilhão, o navio Vitória 10.000 na Bacia de Santos, conforme a Lava Jato, o contrato, de 2009, foi firmado para que o Banco Schahin perdoasse a dívida de R$ 12 milhões feita pelo pecuaristas José Carlos Bumlai. Cerveró ponderou, contudo, que não soube por Lula que a indicação partiu do ex-presidente e se deu por “gratidão”. “Na época, me foi dito pelo pessoal do Banco Schahin.
Foi o que levou o presidente Lula a me indicar quando eu fui destituído da Diretoria Internacional”. “Uma das informações que me foi dita pelo Edson é que o Delcídio, nesse período, teria mandato um recado dizendo que a presidente Dilma estava preocupada com os meninos. Os meninos, no caso, eram meu colega Renato Duque e eu”, contou Cerveró. Preso no fim de 2015, depois desse suposto episódio, Delcídio fez acordo de delação premiada e informou que o Planalto atuaria para que o Superior Tribunal de Justiça liberasse Cerveró. “Estava acertado que o meu habeas corpus sairia, mas que isso não seria suficiente. Depois haveria uma nova ordem de prisão e que eu precisava sair do país, acrescentou Cerveró no depoimento prestado nesta última terça-feira. Estas afirmações reforçam a ideia de que a prisão pode acontecer, por isso, tudo pode ser feito para impedir a liberação de Cerveró antes de ir para a prisão.
