Em Porto Alegre, a estrutura da Feira do Livro está sendo montada. Todo ano a mesma coisa, monta, desmonta. No ano passado, uma das menores feiras nos últimos 40 anos. Coisas da crise ou do descaso natural, incompetência de quem organiza o evento. Trata-se de um dos maiores eventos anuais de Porto Alegre.
O Monumento à Literatura, como é conhecida a obra, foi criado por Eloisa Tregnago e Xico Stockinger e inaugurado em 2001. A imagem que atualmente representa a cultura no Estado, na minha opinião, é a dos poetas, Carlos Drummond de Andrade lendo para Mário Quintana, onde Quintana está sentado no banco e turistas, simpatizantes, freqüentadores, podem fazer imagens, sentados ao lado do poeta. O livro que estava nas mãos de Drummond foi roubado e será a terceira Feira do Livro que ocorrerá com o poeta lendo um livro que não está onde deveria. A imagem da cultura, o descaso, o abandono. Não bastasse este fato, as bancas montadas ficam com os fundos das mesmas defronte aos poetas. Outra imagem: a Feira de costas para os poetas, o Estado de costas para a cultura.
Os investimentos públicos para bancar o evento são considerados custos. Hoje, tudo é custo. A cultura do não fazer, do menos é mais, da não intervenção do Estado, do Estado mínimo. Estamos no Brasil, no Rio Grande do Sul. Aqui, se o Estado não banca, a iniciativa privada definha. Seria assim se o Estado/União não bancasse o financiamento agrícola, se o BNDE não financiasse os projetos das grandes empresas, se o município de Candiota não bancar o “Canto Moleque” ou se o município de Hulha Negra não bancasse a Festa do Colono. A Feira do Livro, ainda que uma Feira de empresas que vendem livros, sem a ativa participação do Estado tende a perder espaço, como vem perdendo nos últimos anos.
Finalmente, algo que não consigo entender, o pouco que ganha quem escreve e o muito que paga quem compra, desestimula a produção e inibe a aquisição. Por mais que amplo material esteja disponível na internet, o livro ainda tem seu espaço e o que mais anda em falta no mercado, parece, são pessoas que queiram ler menos os amigos nas redes sociais e mais expoentes da cultura nos livros. Pesquisa do Ibope, publicada o ano passado pelo Estadão, mostra que 44% da população brasileira não lê e 30% jamais comprou um livro. A pesquisa também mostra um pequeno avanço no percentual de leitores.