Quando estou escrevendo, a Assembléia Legislativa continua votando o “Pacote do Sartori”, como ficou conhecido o conjunto de medidas que, segundo o governo, visa modernizar o estado. Entre as medidas já decididas, a extinção de oito fundações, entre estas a Fepagro, que tem unidade em Hulha Negra.
O governo Sartori, até o momento, mostra-se pouco flexível. Embora a maior parte da população não dê muita importância ao que está acontecendo, se as pessoas soubessem que está sendo encaminhado o fim do Jardim Botânico em Porto Alegre e do Zoológico em Sapucaia do Sul, muitos não concordariam. A Fundação Zoobotânica foi extinta, tudo bem. Na verdade, é a mesma coisa.
Eu não sei se o debate é pobre, se é propositalmente pobre, ou se eu não tenho lido o quanto deveria ter lido ou visto para acreditar que o debate não é pobre. O deputado Pedro Ruas (Psol), que conheço desde os tempos em que militava no PDT, também diz que o debate é pobre.
O governo quer, entre outras medidas, reduzir os créditos presumidos e outros incentivos fiscais, que totalizaram em 2015 um valor de oito bilhões de reais. Aqui dá para conseguir mais recursos que com a extinção de todas as fundações. Porém, na guerra fiscal entre os estados, reduzir incentivos pode significar mais desemprego. Tudo depende da dose, que não deve ser mínima, nem máxima. Porém, como saber se a dose está razoável se não debatemos sobre ela.
Sartori começou o governo propondo aumento de impostos e levou. Mas continuou pagando salários em parcelas. A culpa era da dívida com a União, agora não é mais, nos próximos dois anos não precisará pagar e só aqui não precisará gastar 6 bilhões dos cofres do governo do Estado até o final do seu mandato. Passando o projeto dos créditos presumidos e se de fato for implementado, conseguirá mais 6 bilhões. Com os cortes de pessoal e mais algumas reduções de despesas levará mais 2 bilhões de reais, no mínimo. Com estes 14 bilhões de reais, Sartori poderá fazer coisas impensáveis, como pagar salários em dia, conceder reajustes salariais aos servidores, em 2017 e 2018, e investir em algumas obras relevantes.
Resta saber se, após a liquidação em curso, Sartori terá um plano. Se não tiver, só restará aos gaúchos a lamentável espera por 2018, ano de mandar o governador para os quintos dos infernos, e muitos deputados também. No voto, como deve ser.
