Colunas / Marco A. Ballejo Canto

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O príncipe

marco

Nicolau Maquiavel nasceu e morreu em Florença (1469-1527) e escreveu “O Príncipe” em 1513. O livro foi publicado postumamente em 1532.

Este é um dos livros que me faz perguntar: – Já leu?

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– Quantas vezes? Quando uma pessoa lê um livro e não sabe citar uma única frase do mesmo é quase como se não tivesse lido.

Ficar “em cima do muro”, não se posicionar, é algo que não se deve fazer. Por esta razão, trago este texto de Maquiavel:

– Um príncipe também é respeitado quando ele é um verdadeiro amigo ou um verdadeiro inimigo; isto quer dizer que, quando, sem reservas, ele se declara a favor de um e contra outro. Essa atitude é sempre mais vantajosa do que ficar neutro, pois, se dois poderosos vizinhos seus entram em guerra, eles são de tal forma que, caso um deles conquiste o outro, você tem que temê-lo ou não. Em qualquer destes dois casos, sempre será mais vantajoso para você se declarar a favor de um ou de outro e combater uma guerra digna, porque, no primeiro caso, se você não se definir, invariavelmente será presa fácil do vencedor, para o prazer e a satisfação de quem foi conquistado, e não terá nenhuma razão ou coisa alguma para protegê-lo ou defendê-lo. Porque aquele que conquista não quer amigos duvidosos, que não o ajudarão nas adversidades, e aquele que perde não lhe dá abrigo, porque você não quis, com a arma em punho, lutar com ele.

Segundo Maquiavel, existem três espécies de inteligência, “uma que entende as coisas por si, outra que discerne o que os outros entendem e a terceira que não entende nem por si nem por intermédio dos outros. A primeira é verdadeiramente excelente, a segunda, boa e a terceira, inútil”.

Fazer o bem é o que desejamos de todos os seres humanos. Porém, em alguns momentos, os outros poderão crer que nossas atitudes foram maldosas. Algumas vezes, conscientemente, são. Maquiavel esclarece que “É necessário, para um príncipe que deseja manter o que é seu, saber como fazer o mal, e fazê-lo ou não de acordo com a necessidade”. Neste caso, acho que Orson Welles, ator, teatrólogo e produtor de filmes norte-americano, foi mais sutil, quando disse:

– Não digo que devamos proceder mal; porém, para não ficar em desvantagem devemos dar a entender que podemos.

Maquiavel também ensina: – Um príncipe deve também se mostrar um amante das virtudes, honrando as habilidades em todas as artes.