A placa alusiva ao centenário da Revolução Federalista será recolocada nesta terça-feira, 29 de novembro, na área onde fica a famosa Lagoa da Música. Isso porque nessa data é feriado municipal em Hulha Negra em memória aos mortos da degola. Neste ano, a prefeitura antecipou o feriado para segunda-feira, 28, e promoverá na manhã desta terça, às 9h30, uma cerimônia na Lagoa. Além da recolocação da placa, instalada no local histórico em 1993 pelo então prefeito Marco Antônio Ballejo Canto (PDT), haverá palestras sobre a história da Lagoa e apresentação da fanfarra da Escola Estadual de Ensino Fundamental Dalva Conceição de Medeiros. Os alunos da EMEF Monteiro Lobato participarão do ato. No ano passado, eles desenvolveram o projeto interdisciplinar “Da África à Lagoa da Música: Hulha Negra mostrando a sua história através da cultura negra”.
O secretário municipal de Educação e Cultura (Smec), Vinícius Kercher, convida a comunidade para visitar o local, situado às margens do Rio Negro, no assentamento Santo Antônio. Segundo ele, a área foi limpa e ornamentada pela Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos, assim como o acesso ao local. Kercher lembra que a história da Lagoa da Música foi abordada no curta-metragem “Latorre: alma, terra e sangue”. Com roteiro e direção da bageense Adriana Gonçalves, o filme foi inspirado no livro “Terra, alma e sangue”, de Cândido Pires Oliveira.
FIQUE POR DENTRO – Ex-combatente da Guerra do Paraguai, o revolucionário maragato Adão Latorre foi convidado pelo coronel Zeca Tavares para combater na Revolução Federalista de 1893. Latorre lutou para combater a liderança de Júlio de Castilhos e permeou o imaginário popular rio-grandense com a noite da degola do Rio Negro, no qual teria degolado mais de 300 inimigos.
O episódio sangrento que ocorreu em Hulha Negra ficou conhecido também como degola da Lagoa da Música. De acordo com a lenda, entre os degolados encontrava-se um rapaz que era o tocador de clarim da sua tropa. Mesmo ferido de morte, ele ainda encontrou forças para correr até a lagoa levando seu instrumento musical e desaparecendo nas águas escuras que o engoliram como num passe de mágica. No imaginário popular até hoje o soldado morto gosta de tocar o seu clarim nas noites de lua, o que acabou dando à lagoa a fama de lugar mágico, de onde saem notas musicais que ninguém consegue explicar de onde vêm.
