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Região se mobiliza contra privatizações propostas pelo governo do Estado

Deputado Lara conduziu os trabalhos da audiência pública

Deputado Lara conduziu os trabalhos da audiência pública

Convocada pela Assembleia Legislativa do Estado, através da recém formada Frente pelo Fortalecimento e Manutenção da Companhia Riograndense de Mineração (CRM), uma audiência pública realizada no ginásio de Candiota na noite da última sexta-feira (9), deu uma grande demonstração de força e contrariedade as medidas propostas pelo governador José Ivo Sartori (PMDB) e que tramitam em regime de urgência da Assembleia, com o sentido de atacar a grave crise financeira que se abate sobre o Rio Grande do Sul.

Mais de mil pessoas, entre mineiros, eletricitários, lideranças políticas, comunitárias, sindicais, além da comunidade em geral, compareceram ao local para apoiar a mobilização de resistência as medidas, principalmente no que concerne a proposta de retirada do dispositivo constitucional que prevê realização de plebiscito para a privatização ou federalização de empresas públicas como CRM, Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) e Sulgás.

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Além das lideranças e comunidade, a audiência que foi presidida pelo proponente da Frente em defesa da CRM, deputado Luís Augusto Lara (PTB), contou com a presença de outros quatro deputados estaduais – Luiz Fernando Mainardi, Zé Nunes e Nelsinho Metalúrgico (todos do PT), e Pedro Pereira (PSDB). Também o deputado federal Afonso Hamm (PP-RS), que é vice-presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Carvão Mineral, marcou presença, bem como dos prefeitos atual e eleito de Candiota, Luiz Carlos Folador e Adriano do Santos. Vários vereadores dos municípios da região fizeram questão de prestigiar o ato, além do vice-prefeito eleito de Pinheiro Machado, Jackson Cabral (PSDB).

Num coro uníssimo de defesa do patrimônio público, todos os oradores foram um a um condenando a proposta do governo estadual, assim, como todos foram unânimes em analisar que a proposta de retirada do plebiscito não passará na Assembleia, porém que o governo persistirá com a ideia, realizando o plebiscito.

Para o deputado Lara, ao invés de vender empresas lucrativas, o Estado deveria rever os incentivos fiscais dados a empresas que não retornam com a contrapartida acordada. O deputado, que lidera a defesa da CRM, alertou em sua fala que o plano do governo do Estado é a entrega do setor energético gaúcho à iniciativa privada. “O resto das propostas é tudo perfumaria”, analisa, avaliando que a primeira batalha será vencida na AL, pois ele garante que o governo não possui os 33 votos necessários para derrubar um dispositivo constitucional. “Mas temos que nos preparar também para vencer o plebiscito, pois o pleno é vender o setor”, convoca e prevê.

O deputado Mainardi assinala que o governador enxerga a superação da crise penalizando os mais pobres e o funcionalismo público. “É a mesma visão do governo Antônio Britto, quando Sartori era líder na AL e quando se escolou. É modelo do estado mínimo e da venda de nosso patrimônio”, assinalou.

Integrante da base governista de Sartori, o deputado tucano Pedro Pereira afirmou que parte do pacote de Sartori vai passar com seu voto, contudo afirmou sua contrariedade a privatização de CRM, CEEE e Sulgás. “Já comuniquei minha posição ao governo. Não sou cabresteado e você podem contar comigo nesta luta”, disse, ao ser aplaudido pela plateia.

Para o deputado Nelsinho Metalúrgico, o governo mente quando diz que a solução é a privatização, que segundo ele, só com o aumento do ICMS, o Estado passou a arrecadar R$ 2,2 milhões a mais ao ano. Também o deputado petista citou a suspensão do pagamento da dívida com a  União – privilégio que nenhum outro governo teve -, com o não desembolso de R$ 4 bilhões anuais, entre outras situações e medidas já adotadas. “Não há necessidade de privatizar e extinguir Fundações como ele propõe”, afirma.

O deputado Zé Nunes analisa que todos estavam naquela noite no ginásio de Candiota por causa de uma decisão política do governador. Para ele, Sartori escolheu alardear a crise e a catástrofe, para poder vender o Estado. “O governo Britto iniciou e nós não vamos deixar que este governo cumpra a segunda parte do plano de destruição do RS”, exalta.

Wagner Pinto falou em nome dos mineros

Wagner Pinto falou em nome dos mineros

Para o presidente do Sindicato dos Mineiros e da Associação Pró-Carvão (APC), Wagner Pinto, não se justifica economicamente a venda da CRM, que no máximo poderá ser vendida, segundo ele estima, por R$ 600 milhões. “Contudo, a CRM é dona de 1,5 bilhão de toneladas de carvão mineral, avaliadas em R$ 100 bilhões. Trocaremos R$ 600 milhões por R$ 100 bilhões?”, questiona.

O deputado federal Afonso Hamm disse que não tinha qualquer constrangimento em dizer que apoiou e ajudou a eleger Sartori como governador, porém também não tinha constrangimento em dizer que ele estava equivocado. “Não há necessidade de se fazer tamanhas alterações na estrutura de nosso Estado”, disse, se colocando à disposição em lutar contra as medidas.

O prefeito Luiz Carlos Folador lembrou que em Candiota todos são herdeiros de Antônio de Souza Neto – que proclamou a República Rio-Grandense em terras candiotenses no ano de 1836. “Por isso somos forjados na luta. A Assembleia fará a sua parte e nós faremos a nossa”, comparou.

Prefeito Folador lembrou Antônio de Souza Neto

Prefeito Folador lembrou Antônio de Souza Neto

Engajado na luta em defesa da CRM desde o início, o prefeito eleito Adriano dos Santos salientou o papel não só econômico que a estatal exerce na região, mas sim seu papel social. “Ao invés dos terrenos da CRM irem para a especulação imobiliária, foram repassados à prefeitura que os vendeu a preços baixos para os que ansiavam em construir sua moradia. Nossas estatais não estão no balcão de negócios”, disse.

CAMINHADA – Centenas de pessoas, entre elas lideranças de toda a região, caminharam na tarde de sábado (10) entre a Praça Esporte e a Praça Silveira Martins, pela avenida Sete de Setembro, no centro de Bagé, contra a proposta de privatização da CRM, CEEE e Sulgas. Ao fim, um ato político foi realizado.

MOBILIZAÇÃO – Já nesta terça-feira (13), na Praça Piratini, em Porto Alegre, acontecerá uma audiência pública, onde deverão se reunir três Frentes Parlamentares: em defesa da CRM, de preposição do deputado Luís Augusto Lara (PTB);  em defesa da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) pública, de autoria do deputado Ciro Simoni (PDT) e em defesa da Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás), de proposição da deputada Juliana Brizola (PDT).

A região se fará presente com um grande número de pessoas, que se deslocarão de ônibus e de carro até a capital.