Há cerca de cinco anos, o município de Candiota passou a contar com um aterro sanitário. Atualmente, mais de 700 toneladas de resíduos sólidos são depositadas diariamente no local, que fica numa área já minerada da Mina de Candiota (Companhia Riograndense de Mineração – CRM) e pertence à Meioeste Ambiental Ltda. O aterro recebe o lixo de 24 municípios das regiões Campanha, Sul e Fronteira Oeste do Estado. Entre eles estão Pelotas, Pinheiro Machado, Bagé, Dom Pedrito, Santana do Livramento e Uruguaiana.
No entanto, em breve, a realidade poderá começar a mudar no local, onde está projetada a instalação de uma usina que irá processar e queimar o gás gerado a partir da decomposição do lixo. A meta da Meioeste é produzir energia elétrica de forma sustentável. “Vamos reduzir o impacto ambiental com combustível que, em tese, não custa nada. Transformar um gás que seria poluente em energia limpa”, diz o especialista italiano Pietro Bosco, que possui 32 anos de experiência em aterro sanitário e 22 em projetos de biogás. Uma das empresas para a qual trabalhou foi a americana Waste Management, considerada, segundo ele, a maior do mundo na área de tratamento de detritos. No Brasil, Bosco reside há três anos e já atuou na implantação de duas usinas de biogás nos aterros de Belo Horizonte e Uberlândia, em Minas Gerais. Em Candiota, ele foi contratado pela Meioeste para coordenar o projeto da termelétrica.

Bosco, Gesiel Silveira, encarregado geral da Meioeste, e Costa estiveram na redação do TP dando informações sobre o projeto
A usina terá capacidade instalada de 2,8 megawatts/hora, suficiente para abastecer uma cidade como Candiota, com cerca de 10 mil habitantes. Conforme Bosco, o biogás é composto por 60% de metano (CH4), 38% de gás carbônico (CO2), 1% de oxigênio (O2) e 1% de outros gases. “O CH4 é três vezes mais poluente que o CO2”, destaca, lembrando que, ao ser transformado, ele passa a ser um combustível limpo.
Para instalação da termelétrica, que será semelhante à usina de Minas do Leão, na região Carbonífera do Estado, serão perfurados poços que vão ser conectados em uma central que captará o gás do aterro. Após isso, será feita a desumidificação (processo pelo qual se retira a umidade) do biogás. Concluída essa etapa, ele será injetado sob pressão nos motores, que serão importados da Áustria em razão de não serem produzidos no Brasil. Os motores serão fabricados pela General Eletric (GE), que, segundo Bosco, são os melhores para aterros sanitários.
INVESTIDORES – O gerente operacional da Meioeste, Guilherme Arruda da Costa, diz que o aterro sanitário é a evolução daquilo que eram os lixões. Ele destaca que o projeto da usina está orçado em R$ 10 milhões e que a empresa está buscando investidores para executá-lo. A Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler (Fepam) já emitiu a licença prévia (LP) do empreendimento e agora a Meioeste aguarda a licença de instalação (LI). O executivo informa que a termelétrica deverá ser erguida por uma empresa italiana e que os trabalhadores para a obra serão contratados por essa firma. Atualmente, 20 funcionários diretos e em torno de 80 indiretos atuam no aterro. Para operar a usina, a estimativa é que sejam contratados cerca de quatro funcionários.
A matriz da Meioeste fica em Caçador. O aterro sanitário que a empresa tem na cidade catarinense recebe em média 100 toneladas de lixo por dia.
CHEIRO – Os vereadores candiotenses Guilherme Barão (PDT) e Gildo Feijó (PMDB) abordaram, na sessão ordinária do Legislativo do dia 31 de outubro, a questão do mau cheiro que, muitas vezes, pode ser sentido na sede do município. Eles acreditam que o odor seja proveniente do aterro sanitário. O presidente da Casa, Valmir Cougo (PT), lembrou, na oportunidade, que está para ser votado na câmara o Plano Municipal de Saneamento que contemplará o manejo dos resíduos sólidos, entre outras áreas.
O gerente operacional da Meioeste, Guilherme Arruda da Costa, comenta que a operação no aterro está ocorrendo normalmente. De acordo com ele, o lixo que é depositado no local é coberto com argila todos os dias. “A não ser quando chove porque a terra está muito úmida, não tem como cobrir”, explica. Ele também suspeita que o cheiro possa estar sendo exalado pela lagoa de estabilização de esgoto cloacal da sede do município e que nada tem a ver com o aterro.
O fiscal ambiental da prefeitura, Gilnei Albuquerque Júnior, assinala que a administração municipal fiscaliza o local mensalmente, sendo que em alguns meses esse monitoramento é feito mais de uma vez. Ele menciona que a prefeitura está elaborando um relatório sobre o aterro e irá encaminhá-lo à Fepam, que é órgão responsável pela fiscalização do local. O fiscal não mencionou nenhum tipo de irregularidade e também não adiantou o conteúdo do relatório.

